aqui há uns anos, um futuro grande jogador foi tratado de uma maleita que o apoquentava. gostava muito de fruta. fruta aqui não tem o mesmo sentido que os amigos do clube que equipa de azul usavam para os árbitros. fruta é mesmo aquele pó que vem da colômbia. ora, parece que daqueles lados veio também um problema grave que marca golos. que recupere rapidamente para a vida porque las druegas estragan tu miente!
domingo, 23 de janeiro de 2011
já chega de nos beneficiarem
fomos beneficiados pela arbitragem. o primeiro golo nasceu de um erro clamoroso. o senhor costa não pode dar a lei da vantagem quando há penalty. mas damos o benefício da dúvida já que acabou por cumprir a ldnmpfB (lei de não marcar penalties a favor do Benfica). depois, esteve bem ao não marcar penalty sobre o Coentrão. aquela entrada, quase no fim, à luz da referida lei não existe.
ah, e é claro que, no outro jogo, ali para os lados de aveiro, o penalty foi claríssimo sobre o givanildo. ou seja, só houve erro no jogo do Benfica e o resto faz parte do futebol, do nosso futebol.
mas vamos ao grande jogo a que se assistiu no Estádio da Luz: grande primeira parte, grande Sálvio acompanhado por Aimar e Saviola (menos do que os outros). gostei muito do Sálvio. não via um jogadores destes há muito tempo de jersey escalarte. depois, o excesso de confiança e uma Robertada. não sei se terias de sair junto do jogador que marcou, mas a meio da viagem Roberto?
quarta-feira, outra partida. começa a ser uma constante neste janeiro. se for para ver jogos destes, cá estarei, sem reservas, qualquer que seja a hora, dia ou local!
na sexta, sofremos uma derrota. em futebol. o Benfica de Macau perdeu contra o wai chan. perante um público entusiástico começámos a perder logo nos primeiros minutos. empatámos depois de um pressing à Benfica sobre a equipa contrária, numa jogada individual de Júnior, o Messi de Macau, que passou ao lado de uma grande carreira nos grandes palcos do futebol mundial. a jogar contra dez durante boa parte do jogo não conseguimos dar a volta ao resultado e acabámos por sofrer um golo em contra-ataque quando o coração falava mais alto do que a cabeça. destaques individuais para o PRC, Taylor, Júnior - pena que não aguente os 90 minutos - e, claro, o Néné de Macau, Cândido Alex Alves! vamos ver para a próxima se voltamos às vitórias. nota também para alguma indisciplina: a camisola que têm vestida é a do Benfica e algumas atitudes na altura de cabeça quente não têm justificação! CARREGA BENFICA!
ah, e é claro que, no outro jogo, ali para os lados de aveiro, o penalty foi claríssimo sobre o givanildo. ou seja, só houve erro no jogo do Benfica e o resto faz parte do futebol, do nosso futebol.
mas vamos ao grande jogo a que se assistiu no Estádio da Luz: grande primeira parte, grande Sálvio acompanhado por Aimar e Saviola (menos do que os outros). gostei muito do Sálvio. não via um jogadores destes há muito tempo de jersey escalarte. depois, o excesso de confiança e uma Robertada. não sei se terias de sair junto do jogador que marcou, mas a meio da viagem Roberto?
quarta-feira, outra partida. começa a ser uma constante neste janeiro. se for para ver jogos destes, cá estarei, sem reservas, qualquer que seja a hora, dia ou local!
na sexta, sofremos uma derrota. em futebol. o Benfica de Macau perdeu contra o wai chan. perante um público entusiástico começámos a perder logo nos primeiros minutos. empatámos depois de um pressing à Benfica sobre a equipa contrária, numa jogada individual de Júnior, o Messi de Macau, que passou ao lado de uma grande carreira nos grandes palcos do futebol mundial. a jogar contra dez durante boa parte do jogo não conseguimos dar a volta ao resultado e acabámos por sofrer um golo em contra-ataque quando o coração falava mais alto do que a cabeça. destaques individuais para o PRC, Taylor, Júnior - pena que não aguente os 90 minutos - e, claro, o Néné de Macau, Cândido Alex Alves! vamos ver para a próxima se voltamos às vitórias. nota também para alguma indisciplina: a camisola que têm vestida é a do Benfica e algumas atitudes na altura de cabeça quente não têm justificação! CARREGA BENFICA!
quinta-feira, 20 de janeiro de 2011
a incompetência do senhor dias numa vitória incontestável
bons primeiros minutos do Benfica a darem a ideia de que a profecia do sd disfarçado ía tornar-se realidade, i.e., que a goleada seria uma questão de tempo.
depois, bem, depois apareceu um factor que tem sido uma constante esta época: arbitragens sempre a prejudicar e noutras épocas: artur soares dias não consegue despir a camisola nem a condição de titular de um lugar cativo (ou será camarote) nem tampouco a de incompetente. ele e o bertino bem que podem juntar-se ao sistema que serão sempre uns árbitros incompetentes para não dizer outra coisa.
na segunda parte, depois do susto, apareceu Salvio. grande jogador que merece um esforço na sua contratação. extremo à antiga com grande potencial fez um golo de levantar o estádio.
nota final para Jara: ainda vai dar-nos alegrias.
nota finalíssima para um senhor que diz que do Benfica só queria o elmano santos. é divertido o senhor. eu do porto queria o elmano, o jorge sousa, o cosme machado, o olegário, o mano do paulo costa* e toda a escória sistemática que arbitra com um objectivo: subir na carreira à custa dos favores que faz ao sistema.
*este mano do paulo costa acaba de ser nomeado para o Benfica-nacional. eles estão a 8 pontos mas cheios de cagufa.
depois, bem, depois apareceu um factor que tem sido uma constante esta época: arbitragens sempre a prejudicar e noutras épocas: artur soares dias não consegue despir a camisola nem a condição de titular de um lugar cativo (ou será camarote) nem tampouco a de incompetente. ele e o bertino bem que podem juntar-se ao sistema que serão sempre uns árbitros incompetentes para não dizer outra coisa.
na segunda parte, depois do susto, apareceu Salvio. grande jogador que merece um esforço na sua contratação. extremo à antiga com grande potencial fez um golo de levantar o estádio.
nota final para Jara: ainda vai dar-nos alegrias.
nota finalíssima para um senhor que diz que do Benfica só queria o elmano santos. é divertido o senhor. eu do porto queria o elmano, o jorge sousa, o cosme machado, o olegário, o mano do paulo costa* e toda a escória sistemática que arbitra com um objectivo: subir na carreira à custa dos favores que faz ao sistema.
*este mano do paulo costa acaba de ser nomeado para o Benfica-nacional. eles estão a 8 pontos mas cheios de cagufa.
quarta-feira, 19 de janeiro de 2011
olhanense, outra vez
olhanense uma vez mais. depois do campeonato e da taça o Glorioso joga hoje com a turma de olhão, desfalcada de um dos melhores centrais do Mundo e arredores.
a ver vamos se a sobrecarga de jogos não nos traz nenhum dissabor.
a ver vamos se a sobrecarga de jogos não nos traz nenhum dissabor.
terça-feira, 18 de janeiro de 2011
apesar de não dizer respeito ao Maior
a putativa candidatura de um ser que nada percebe de futebol, nem, atrevo-me a dizer, do que quer que seja, mas que bota faladura como se percebesse, para presidente do sportém, de seu nome rogério alves, é só mais um tiro no pé daquele clube que, como disse, me habituei a ver como rival. tenho pena dos meus amigos sportinguistas que vão sofrer ainda mais se este paraquedista for eleito.
e acreditem que não é só por causa disto mas também por causa disto e de outras coisas que não são para aqui chamadas.
e acreditem que não é só por causa disto mas também por causa disto e de outras coisas que não são para aqui chamadas.
segunda-feira, 17 de janeiro de 2011
el mania de complicar
pois é, ganhámos com um golo irregular. não gosto de golos irregulares. mas gosto ainda menos de penalties claros que não são assinalados pelo mesmo incompetente que aqui há umas semanas assinalou um que deu a vitória ao nosso adversário e que retirou o empate ao setúbal.
bons primeiros minutos que culminaram no golo. depois, embalados pelo espectáculo deplorável do senhor do apito, os nossos jogadores quiseram dar emoção e por pouco não empataram o jogo, apesar de terem tido umas 10 ocasiões claras para o matar.siga para bingo. JJ, vamos a isso. ainda estou contigo. olhanense e nacional, sobretudo com este último, temos umas contas a ajustar.
Carrega Benfica!
ps - já não sofria como hoje, desde o ano passado.
domingo, 16 de janeiro de 2011
estudantes e o fim de um clube como o conhecemos
na próxima madrugada joga-se um clássico, quiçá decisivo para as aspirações do Benfica nesta liga. foi com a académica que começámos mal a época com um tal de cosme machado a ajudar à festa do entretanto afastado, por razões passionais, jorge costa.
é preciso lutar contra muitas contrariedades para conseguirmos manter viva a chama. pode ser que o Carlos Mozer dê uma ajuda, mas precisamos de ganhar. vai ser difícil, ainda para mais com o incompetente do elmano que já ofereceu 2 pontos ao nosso mais directo rival na luta, mas acredito nos nossos rapazes.
ao lado, aquele que me habituei a ver como o grande rival, definha e caminha a passos largos para o abismo. não há mercado para três grandes clubes e o sportém, infelizmente, estará a poucos anos de se tornar num ex-grande. é pena. sobretudo para quem vê neles o rival de sempre. mas é a vida. de quem é a culpa? não sei, mas era bom começar a radiografar os adeptos... pode ser que se encontrem algumas das causas das maleitas.
quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
mais uma vitória folgada
mais uma boa exibição.
mais uma goleada à antiga temporada.
mais uma goleada à antiga temporada.
mais dois golos do Cardozo que já leva três de avanço do Mats como melhor goleador estrangeiro.
mais um passeio de classe de Javier Pedro Saviola Fernández.
mais uma estupidez - para não dizer outra coisa - do nosso clube ao anunciar a contratação de um jogador da equipa adversária no mesmo dia em que era suposto jogar contra nós. não gosto e faz lembrar estratégias de um outro tipo de dirigismo virado mais para o norte.
mais uma noite que valeu a pena estar acordado.
venham os próximos!
mais uma estupidez - para não dizer outra coisa - do nosso clube ao anunciar a contratação de um jogador da equipa adversária no mesmo dia em que era suposto jogar contra nós. não gosto e faz lembrar estratégias de um outro tipo de dirigismo virado mais para o norte.
mais uma noite que valeu a pena estar acordado.
venham os próximos!
segunda-feira, 10 de janeiro de 2011
o assalto
imaginem um assalto a um escritório numa ex-colónia portuguesa durante as férias do natal.
imaginem que têm documentos importantes, algum dinheiro, computadores e impressoras.
imaginem que a única coisa que é roubada é uma jersey do Benfica, repito, uma jersey do Sport Lisboa e Benfica, e um relógio de uma conhecida marca suiça.
pois, isto aconteceu mesmo não muito longe daqui.
imaginem que têm documentos importantes, algum dinheiro, computadores e impressoras.
imaginem que a única coisa que é roubada é uma jersey do Benfica, repito, uma jersey do Sport Lisboa e Benfica, e um relógio de uma conhecida marca suiça.
pois, isto aconteceu mesmo não muito longe daqui.
tango à beira do Lis
mais uma vitória, mas uma exibição conseguida frente a um quarto classificado que não fez um remate à baliza com perigo, com excepção daquela saída do Roberto já na segunda parte.
depois do primeiro golo temi que o excesso de confiança se apoderasse dos nossos rapazes, na medida em que sabiam que a equipa contrária tinha sido treinada pelo enorme treinador-adjunto sá pinto durante a semana.
bom jogo do Fábio Coentrão, do Gaitan e do Javi que viu um amarelo estúpido. enorme Saviola a fazer lembrar o jogador da época passada. os dados estão lançados e agora temos de esperar que os que vão à frente escorreguem o que não deverá acontecer até fevereiro.
com resultados - e exibições - assim dá gosto acordar às 4 da manhã e voltar a deitar às 6.
depois do primeiro golo temi que o excesso de confiança se apoderasse dos nossos rapazes, na medida em que sabiam que a equipa contrária tinha sido treinada pelo enorme treinador-adjunto sá pinto durante a semana.
bom jogo do Fábio Coentrão, do Gaitan e do Javi que viu um amarelo estúpido. enorme Saviola a fazer lembrar o jogador da época passada. os dados estão lançados e agora temos de esperar que os que vão à frente escorreguem o que não deverá acontecer até fevereiro.
com resultados - e exibições - assim dá gosto acordar às 4 da manhã e voltar a deitar às 6.
quarta-feira, 5 de janeiro de 2011
separados à nascença
segunda-feira, 3 de janeiro de 2011
a vitória possível
ponto assente, com um destinatário: não fico contente com derrotas das outras equipas a não ser aquelas que jogam contra o Benfica porquanto isso significa uma vitória para o meu clube. não sou anti-nada. gosto de ganhar no campo e não em jogos de bastidores do tempo em que não havia internet.
ontem jogámos q.b. para sair com uma vitória sem espinhas. continuam-me a irritar as saídas para o ataque do central David Luiz. mais de metade dá em nada e, pior, desequilibra a equipa.
o golo do Sálvio é de jogador e tomara que se mantenha em forma no resto da época.
o Kardec anda aos papéis.
o Fábio Faria não é daquele filme (defesa-esquerdo?) mas ainda assim fez menos asneiras que o César Peixoto.
o Gaitan é jogador, mas ainda falta qualquer coisa.
o Airton e o Javi juntos nalguns jogos desta época tinham permitido resultados melhores.
o Carlos Martins está careca.
o Maxi está a subir de forma.
o Sidnei parece mais leve.
o Jara tem pormenores de jogador.
o Nuno Gomes não foi convocado.
o JJ parece estar a voltar aos bons velhos tempos.
o barnabé ficou em 2010.
o Benfica tem de ganhar os dois próximos jogos para o campeonato por forma a acalentar esperanças em poder chegar-se ao primeiro classificado.
ontem jogámos q.b. para sair com uma vitória sem espinhas. continuam-me a irritar as saídas para o ataque do central David Luiz. mais de metade dá em nada e, pior, desequilibra a equipa.
o golo do Sálvio é de jogador e tomara que se mantenha em forma no resto da época.
o Kardec anda aos papéis.
o Fábio Faria não é daquele filme (defesa-esquerdo?) mas ainda assim fez menos asneiras que o César Peixoto.
o Gaitan é jogador, mas ainda falta qualquer coisa.
o Airton e o Javi juntos nalguns jogos desta época tinham permitido resultados melhores.
o Carlos Martins está careca.
o Maxi está a subir de forma.
o Sidnei parece mais leve.
o Jara tem pormenores de jogador.
o Nuno Gomes não foi convocado.
o JJ parece estar a voltar aos bons velhos tempos.
o barnabé ficou em 2010.
o Benfica tem de ganhar os dois próximos jogos para o campeonato por forma a acalentar esperanças em poder chegar-se ao primeiro classificado.
sexta-feira, 31 de dezembro de 2010
50 mil contos dos antigos
ainda antes do final do ano, e à laia de comentário amargurado sobre o assalto deste ano, um pequeno grande pormenor que faltou na anterior posta e que diz respeito a um alegado facto dito convictamente por um simpatizante do sportém, repito, um alegado facto dito convictamente por um simpatizante do sportém durante um almoço de confraternização: "sabem quanto custou a passagem à meia-final da liga dos campeões ao porto, naquela célebre elimatória com o manchester? 50 mil contos dos antigos". perante tal convicção, fui averiguar e há outros factos curiosos.
divirtam-se e que o Benfica seja o que é por natureza, um clube campeão.
divirtam-se e que o Benfica seja o que é por natureza, um clube campeão.
terça-feira, 28 de dezembro de 2010
o que vi pelos dias 7, 12 e 18 de dezembro, sem esquecer o natal
o regresso aos tempos do poeta artur
contra os alemães estamos conversados. foi assim um Benfica à artur jorge, o pior da época, uma vergonha, um estado de alma depressivo de quem não merecia continuar na champions. será que os jogadores do Sport Lisboa e Benfica não compreendem que envergam um manto sagrado de um dos 10 maiores e mais titulados clubes do Mundo?
porra, se não sabem, então venham aqui a Macau e vejam pelo menos uma vez como os Benfiquistas sentem o clube.
a raça
contra os que nos impediram de chegar mais longe nas competições uefeiras no ano passado, jogámos com a raça que tem faltado em alguns jogos desta época. verdade seja dita que os rapazes domingueiros pouco ou nada fizeram e puseram um autocarro à frente da grande área. quase que tinham sorte e empatavam, mas o resultado foi mais do que justo e seguimos em frente na Taça.
o cheirinho a alecrim da época passada
eram 4:30 e ainda estava para os lados da areia a acabar um almoço pós-torneio de fim de época em que se dão umas tacadas numas bolas para que entrem num buraco. a tarefa era difícil. chegar à Catedral em meia hora, estacionar, entrar e sentar.
tudo isso seria fácil se não houvesse crise em Portugal e o colombo e todas as estradas circundantes não tivessem cheias, engarrafadas, enfim, cheia dos tristes que não têm mais nada para fazer do que ir às compras. sou pela criação de uma faixa especial nesses dias para quem vai ver o Benfica à semelhança do que acontece com as faixas de rodagem dos transportes públicos ou das bicicletas.
ainda por cima, resolveram jogar bem e espetaram 2 batatas nos vilacondenses nos primeiros minutos. ainda assim não desanimei. lá parei o carro e como não queria perder mais golos, deixei-me a ver no televisor de um espaço Benfiquista, cheio que nem um ovo. decidi, em boa hora o fiz, ir para a segunda-parte e saí satisfeito a fazer contas à capital do móvel. não chegou, como não chegou com o setúbal onde podem mais uma, digo duas vezes, agradecer à arbitragem 4 pontos. sim, somem o gamanço do olegário, genro do antónio garrido, e mais um ou dois jogos onde foram beneficiados, e façam as contas.
paz à alma de um adversário
entretanto, morreu o pôncio. paz à sua alma. apesar de ser de um clube adversário e ser feito da mesma capona que os que criminosamente dominam o nosso futebol, reconhecia-lhe alguma piada e, sobretudo, uma ironia fina em defesa dos interesses do seu clube.
sem esquecer o natal
a alegria chegou finalmente, quando decidi presentear todos os primos (quase todos, porque uma das primas, como lhe expliquei, não me pareceu apropriado dar-lhe) e uma tia (que até era do sportém) com um Manto Sagrado com o número 10 estampado e ainda o nome de cada um. com isso, tivemos todos um natal à Benfica, o que muito me orgulha e deixa feliz.
até dia 3 de janeiro, se não for antes, altura em que comentarei por aqui as peripécias do primeiro prélio da taça da liga, sejam felizes, se possível com a ajuda do Benfica, o que no meu caso representa entre 80 a 95% das possibilidades de ser feliz!
ps - e também vi um dos últimos vôos da Vitória, o que, à posteriori, me entristece.
contra os alemães estamos conversados. foi assim um Benfica à artur jorge, o pior da época, uma vergonha, um estado de alma depressivo de quem não merecia continuar na champions. será que os jogadores do Sport Lisboa e Benfica não compreendem que envergam um manto sagrado de um dos 10 maiores e mais titulados clubes do Mundo?
porra, se não sabem, então venham aqui a Macau e vejam pelo menos uma vez como os Benfiquistas sentem o clube.
a raça
contra os que nos impediram de chegar mais longe nas competições uefeiras no ano passado, jogámos com a raça que tem faltado em alguns jogos desta época. verdade seja dita que os rapazes domingueiros pouco ou nada fizeram e puseram um autocarro à frente da grande área. quase que tinham sorte e empatavam, mas o resultado foi mais do que justo e seguimos em frente na Taça.
o cheirinho a alecrim da época passada
eram 4:30 e ainda estava para os lados da areia a acabar um almoço pós-torneio de fim de época em que se dão umas tacadas numas bolas para que entrem num buraco. a tarefa era difícil. chegar à Catedral em meia hora, estacionar, entrar e sentar.
tudo isso seria fácil se não houvesse crise em Portugal e o colombo e todas as estradas circundantes não tivessem cheias, engarrafadas, enfim, cheia dos tristes que não têm mais nada para fazer do que ir às compras. sou pela criação de uma faixa especial nesses dias para quem vai ver o Benfica à semelhança do que acontece com as faixas de rodagem dos transportes públicos ou das bicicletas.
ainda por cima, resolveram jogar bem e espetaram 2 batatas nos vilacondenses nos primeiros minutos. ainda assim não desanimei. lá parei o carro e como não queria perder mais golos, deixei-me a ver no televisor de um espaço Benfiquista, cheio que nem um ovo. decidi, em boa hora o fiz, ir para a segunda-parte e saí satisfeito a fazer contas à capital do móvel. não chegou, como não chegou com o setúbal onde podem mais uma, digo duas vezes, agradecer à arbitragem 4 pontos. sim, somem o gamanço do olegário, genro do antónio garrido, e mais um ou dois jogos onde foram beneficiados, e façam as contas.
paz à alma de um adversário
entretanto, morreu o pôncio. paz à sua alma. apesar de ser de um clube adversário e ser feito da mesma capona que os que criminosamente dominam o nosso futebol, reconhecia-lhe alguma piada e, sobretudo, uma ironia fina em defesa dos interesses do seu clube.
sem esquecer o natal
a alegria chegou finalmente, quando decidi presentear todos os primos (quase todos, porque uma das primas, como lhe expliquei, não me pareceu apropriado dar-lhe) e uma tia (que até era do sportém) com um Manto Sagrado com o número 10 estampado e ainda o nome de cada um. com isso, tivemos todos um natal à Benfica, o que muito me orgulha e deixa feliz.
até dia 3 de janeiro, se não for antes, altura em que comentarei por aqui as peripécias do primeiro prélio da taça da liga, sejam felizes, se possível com a ajuda do Benfica, o que no meu caso representa entre 80 a 95% das possibilidades de ser feliz!
ps - e também vi um dos últimos vôos da Vitória, o que, à posteriori, me entristece.
O KING ao i
como disse e bem o Xô Vici, a não perder a entrevista do King ao i.
Eusébio é um prato. E não dizemos isto só porque o entrevistámos na Tia Matilde, durante a hora (adiantada) de almoço. É a pura convicção do i. Eusébio é um prato, expressão que indicia divertimento e afabilidade. Vamos por partes: o i quer entrevistá-lo a propósito da sua chegada a Portugal, fez 50 anos no dia 15, e telefona-lhe. Assim, sem passar por ninguém. Do outro lado atende Eusébio, como um comum mortal. E toda a gente sabe que Eusébio não é um qualquer. É O Eusébio, com "o" maiúsculo. O Eusébio que ainda hoje suscita admiração e é reconhecido em qualquer parte do mundo, seja na Bósnia, na Venezuela ou no Vietname.
O Eusébio que foi eleito pela FIFA como o nono melhor jogador de todos os tempos no século XX. À sua frente, Pelé (que pede uma batelada de dólares por cada entrevista), Cruijff (é difícil falar com alguém que divide os seus dias entre o golfe e o... golfe), Beckenbauer (Munique é já ali, mas o Kaiser "só com marcação, se faz favor"), Di Stéfano (o presidente honorário do Real Madrid tem mais do que fazer do que dar entrevistas, a não ser que seja um evento-homenagem), Maradona (alguém tem aí o telefone do Fidel?), Puskas (só está entre nós no pensamento), Platini (é o presidente da UEFA e "três occupé") e Garrincha (é de outro mundo, e se não fosse fintava os jornalistas cá com uma pinta...). O que nos deixa no nono classificado do top da FIFA: Eusébio. Que atende o telefone na boa, como se fosse o Manel ou o Jaquim.
Aqui está o ponto de partida para a expressão "Eusébio é um prato": o assessor de Eusébio é o próprio Eusébio da Silva Ferreira. Atende o telefone, ouve e diz de sua justiça. O i quer entrevistá-lo na segunda-feira à noite, dia 13. Resposta dele: "Não, não pode ser. Daqui a 15 minutos, começa o Manchester United-Arsenal. Tenho de ver esse jogo. Liga-me amanhã." Muito bem, que seja na terça-feira, 14. "Hoje? Não, não dá. Então agora vou almoçar e depois tenho de ver [por momentos, ainda temi o pior e que fosse o Motherwell-Hearts, da Escócia] a meia-final do Mundial de clubes [Mazembe-Internacional]. A ver se amanhã nos entendemos, ok?" Okay, Eusébio. "Quando? Hoje? Ehhh, desculpa lá, mas não vai dar. Tenho de ver Rapid Viena-FC Porto [Liga Europa]." Mas desta vez lançamos um contra-ataque, que julgávamos ser venenoso. Qual quê! "Amanhã, quinta-feira? [a falar baixinho mas a pensar alto] às 18h, é o Levski-Sporting [com voz normal] O Sporting joga e tenho de ver. Isto está engatado. Amanhã ou depois, passa pela Tia Matilde à hora de almoço e estou lá, de certeza." Dito. E feito. É sábado, dia do Benfica-Rio Ave, e Eusébio lá está, como prometido, no balcão da Tia Matilde. Quando nos vê, não se deixa surpreender (pudera!) e diz com um sorriso: "Estava difícil, hein! Mas como vês, deu tudo certo."
O i senta-se ao lado dele. Eusébio está sentado, à espera do almoço. É cumprimentado por todos aqueles que lhe passam ao lado. Há quem o chame Eusébio ou king. Dá para tudo. Eusébio, como um rei, estica sempre o polegar em sinal de ok. Nós bem dizíamos, é um prato. E, durante uma hora, a conversa é deliciosa. Eusébio fala com calma. Avança como se fosse um extremo, às vezes recua, que é como quem diz rectifica, depois avança novamente e fala sem parar, ziguezagueando pelo vocabulário à procura da melhor palavra para qualificar este ou aquele ou para definir um ou outro momento, seja glorioso ou simplesmente anedótico. Eusébio é um prato. Já tínhamos dito? A sua memória tem não sei quantos megas de ram. Aí está outro dado que o enobrece: fala do que sabe, com pormenores incríveis. Com ele, não há cá reticências. Quando o seu almoço chega ao balcão, serve-se e tapa o copo de água com um guardanapo. Vai começar a falar... mas o seu raciocínio é interrompido pelo toque do telemóvel. É o Luís Piçarra. O toque do telemóvel, claro. "Sou do Benfica/E isso me envaidece/Tenho a genica/Que a qualquer engrandece/Sou de um clube lutador/Que na luta com fervor/Nunca encontrou rival/Neste nosso Portugal". Eusébio olha para o monitor, atende, fala de mansinho e adia a conversa para outra altura. Agora, é a hora do i. Finalmente.
Isso é o "Ser Benfiquista"...
Sim. Do Luís Piçarra! Nem imaginas o frisson que a música causava a nós, jogadores, antes dos jogos. Estávamos ali perfilados, com o adversário e os árbitros, de repente os altifalantes davam a música, nós ficávamos em pele de galinha e era como que entrássemos em campo já a ganhar. Fosse quem fosse. O Sporting ou o Real Madrid.
Pois, é curioso que fala nisso, porque vai ao encontro de uma das minhas perguntas: como é possível o Eusébio ter estado 15 anos no Benfica e só ter perdido seis jogos em 275 no Estádio da Luz? E como é que o Eusébio marcou em quatro dessas derrotas?
A sério? Seis? E já foram muitas [e ri-se com vontade]. Com quem foram?
Santos de Pelé (2-5) e FC Porto (1-2) em 1962, Sporting (0-2) em 1963, outra vez Sporting (2-4) em 1965, Manchester United (1-5) em 1966 e Ajax (1-3) em 1969.
[Eusébio olha para o ar e começa a falar só para si, mas alto] Desses seis, só dois foram para o campeonato nacional [FC Porto e Sporting-65]. O Santos, para a Taça Intercontinental. Manchester United e Ajax, para a Taça dos Campeões. E esse 2-0 com o Sporting para a Taça de Portugal. Ganhámos lá, em Alvalade, por 1-0, golo do Águas. Depois, perdemos 2-0. Dois do Figueiredo. Olha, foi essa vitória que nos tirou da final da Taça de Portugal mas permitiu ao Sporting ganhar 4-0 ao V. Guimarães e garantir o lugar na Taça das Taças, que haveria de levantar na época seguinte. Nada mal, ajudámos o Sporting, não foi?! [e ri-se mais ainda, entre dois toques do Luís Piçarra].
Porque é que disse "fosse quem fosse: o Sporting ou o Real Madrid"?
O Sporting, porque representei-os em Lourenço Marques, agora Maputo, e porque sempre foi o grande rival do Benfica. Nas 15 épocas de Benfica, fomos campeões nacionais 11 vezes e eles quatro. O FC Porto nunca foi campeão português no meu tempo. E também raramente me ganhou. Na Luz, já vimos, só uma vez. E lembro-me de uma outra vez, bem mais pesada: 4-0 nas Antas. Quatro golos do Lemos. Lembro-me perfeitamente do Rui, que era o guarda-redes do Porto, a dizer-me isso: ''Este ano é nosso'' [esse 4-0 foi em Janeiro de 1971 e estávamos na 18.ª jornada, pelo que faltavam oito para acabar o campeonato, aí liderado por Sporting, com três pontos de avanço sobre V. Setúbal, Benfica e FC Porto]. Eu disse-lhe: ''cuidado com isso, Rui. Ainda vamos ser nós os campeões.'' E fomos mesmo campeões [com três pontos de avanço sobre o Sporting, quatro sobre o FC Porto e sete sobre o V. Setúbal]. No dia em que nos sagrámos campeões, na última jornada, 5-1 à Académica [e faz o gesto de cinco com a mão direita, depois de pousar o garfo no prato], o Rui ligou-me para casa, porque naquela altura não havia nada de telemóveis: ''Tinhas razão. Vocês foram mesmo os campeões. Parabéns.'' Foi um gesto bonito, o dele.
E o Real Madrid?
O quê?
E o Real Madrid? Disse "fosse quem fosse...
Ah, está bem. Desde que me lembro da minha existência [Eusébio nasceu em Janeiro de 1942], o Real Madrid sempre foi a equipa. A máquina. E o Di Stéfano o meu grande ídolo. Eu estava em África e ouvia falar muito do Di Stéfano, do senhor que ele era, do futebol que ele jogava. Não o via a jogar, claro, mas os jornais que chegavam a Lourenço Marques, com dois ou três dias de atraso em relação à data da edição, noticiavam as façanhas do Real Madrid, a equipa que dominava o panorama europeu, como se viu com a conquista das cinco Taças dos Campeões seguidas [entre 1956 e 1960]. E o Di Stéfano era o meu ídolo.
E calhou logo encontrá-lo na sua primeira final europeia, em 1962!
Pois foi. Ganhámos 5-3, a perder 3-2 ao intervalo com três golos do Puskas. Na segunda parte, demos a volta e marquei dois golos, um deles de penálti. Antes do jogo, eu disse ao Coluna para pedir autorização ao Di Stéfano que me desse a sua camisola número 9 no final. Jogámos, ganhámos e, quando o árbitro apitou para o fim, lembrei ao Coluna o pedido da camisola. Lá fomos e o Di Stéfano, cabisbaixo mas afável, deu-me a camisola. Vê lá, tinha acabado de me sagrar campeão europeu e só queria a camisola do Di Stéfano. Está guardada, e é uma relíquia.
Já naquele tempo era costume trocar de camisola?
Não muito, mas eu era novo e o Di Stéfano era uma referência. Ainda hoje é! Aquele era o momento.
Trocou com mais quem?
Tanta gente. Hilário, do Sporting.
E voltámos ao Sporting. Por muitos defesas que o tenham marcado, foi um guarda-redes que ficou célebre por sua causa: o Damas!
Grande amigo. Havia uma rivalidade dentro de campo pelas equipas que representávamos mas a nossa amizade era superior a tudo isso. Quando nos encontrávamos por acaso em Lisboa, íamos almoçar ou jantar ou as duas coisas com as nossas famílias. Juntos, vivemos grandes tardes. Na Luz, em Alvalade, no Jamor. Grande homem, grande guarda-redes.
O Damas também ficou conhecido como o Eusébio do Sporting. Aliás, imagine Portugal sem Eusébio. Não havia estátua Eusébio no Estádio da Luz, não havia Damas como Eusébio do Sporting, não havia jogador português no top 10 dos melhores de sempre do século XX, provavelmente o Sporting tinha ganho mais campeonatos, o Benfica menos... Pergunta: se o Eusébio não tivesse vindo para Portugal, o que estava agora a fazer?
A jogar futebol. Acredita em mim. O meu futuro seria sempre futebolista. Há até uma história curiosa. A minha mãe nunca me quis deixar ir embora de Lourenço Marques. Aos 15 anos, a Juventus, a Juventus de Itália, ok?, queria contratar-me, porque um olheiro deles, que tinha sido um conhecido guarda-redes italiano da Juventus, viu-me e disse-lhes que havia ali um rapaz com potencial, que seria bom aproveitar enquanto eu estivesse incógnito. A Juventus chegou-se à frente mas a minha mãe não quis ouvir nada nem ninguém.
Como eram esses tempos em Lourenço Marques?
Grandiosos. Lembro-me dos jogos que fazíamos. Lembro-me de procurar meias, enrolá-las todas, misturá-las com papel de jornal e daí fazer uma bola. E lembro-me também dos nossos concursos. Quem ganhasse, comia dez castanhas!
Como é que era isso?
Eram concursos de habilidade. Tínhamos de fazer corridas com distâncias pré-definidas a dar toques naquelas bolas [e começa a explicar por gestos, com as duas mãos]. Primeira prova: 20 metros. O primeiro a dar chegar à linha da meta sem deixar a bola e trocá-la do pé direito para o esquerdo o maior número de vezes possível qualificava-se para a fase seguinte, que era a prova dos 50 metros, daí para os 100 e acabávamos nos 200 metros. Sempre na mesma coisa: pé direito, pé esquerdo, pá, pá, pá, pá [as mãos a bater uma na outra fazem eco na Tia Matilde] até cortar a meta. Aquilo eram tardes a fio, dias seguidos, meses, anos... O vencedor ganhava castanhas que assávamos ali na hora, mas nunca, nem por uma vez, o vencedor ficou com todas as castanhas. Qualquer que fosse o vencedor, dividia-as com todos os outros. Ehhh, grandes tempos [olha em frente, para uma parede vazia de conteúdo, mas os olhos transmitem emoção]. Cá em Portugal, o meu treino era outro, claro.
Então?
No final de cada treino, eu ficava no campo a treinar remates. Punha dez bolas ao longo da grande área e ia rematando à baliza. Pá, pá, pá [a Tia Matilde não estremece com o eco, mas pouco falta], pé direito, pé esquerdo, ao ângulo superior, rasteiro ao poste mais distante. Fazia este exercício dez vezes por dia, o que dava cem remates no total. Dez à vez, depois ia buscar as bolas, porque não havia cá apanha-bolas nem nada, não é? Distribuía as bolas outra vez pela área e pá, pá, pá, pá.
Um dia destes, vi uma fotografia sua à baliza. O Eusébio tinha estilo, hããã!
[sem mexer as pernas nem os pés, move o tronco para direita e para a esquerda] O treino de guarda-redes era o melhor para os rins, para os abdominais. Para ficar definitivamente em forma, ia à baliza na parte final dos treinos e dizia ao Simões para me atirar bolas para o lado esquerdo e para o lado direito. Com a mão, mas também em jogadas de um para um. E eu atirava-me aos pés dele.
Podia então ter defendido a baliza do Benfica naquela final da Taça dos Campeões com o Inter, em Milão, quando o Costa Pereira se lesionou?
Sim, podia.
Bem... se fosse, a sua lenda era maior ainda: ir à baliza numa final da Taça dos Campeões. E se não sofresse nenhum golo, como aconteceu com o Germano? Aí então...
Nessa final com o Inter, havia três hipóteses: eu, o Cavém e o Germano. Como estávamos a perder e precisávamos de dar a volta, eu fiquei na frente e lá foi o Germano para a baliza, que manteve o 1-0. Ele já estava a coxear e sem hipótese de acompanhar o arranque de algum adversário.
Sabe qual foi o guarda-redes a quem marcou mais golos?
Não.
Ao Américo, do FC Porto.
Quantos?
17.
Estivemos juntos no Mundial-66. Belo guarda-redes. Porto e Sporting sempre estiveram bem representados na baliza.
Tirando o Damas, quem se destacava mais? Carvalho, Octávio de Sá, Carlos Gomes...
O Carlos Gomes [e olha para a frente, como se o estivesse a ver naquele preciso momento]. Uma vez, quando ele defendia o Atlético, treinado pelo José Águas [1961-62], o intervalo de um jogo com o Benfica demorou mais tempo que o habitual. A PIDE estava na Tapadinha e ia levá-lo para interrogatório. Mas só depois do jogo. Ao intervalo, um amigo dele, que também era meu, alertou-o para isso, meteu-o na bagageira de um boca de sapo [Citröen] e lá foram para Badajoz. O Carlos Gomes foi parar a Marrocos, a jogar no Tânger. E o intervalo desse jogo demorou sei lá o quê. Quando o Atlético entrou em campo, o Carlos Gomes já estava a caminho de Badajoz. Sabes porque é que o Carlos Gomes está aqui? [e aponta para a cabeça]
Não faço ideia. Sei que ele sempre foi irreverente e que jogava de preto, em protesto com o amadorismo do futebol e dos seus dirigentes.
Não [e esboça um sorriso largo]. Lembro-me dele era eu um miúdo de oito anos e ia ver com o meu tio os particulares das equipas portuguesas em Lourenço Marques. Era um costume, e antes dessa equipas regressarem a Portugal, ainda iam à África do Sul para ganhar mais um cachet. Lá, os negros não podiam jogar. Lembro-me que o Sporting jogou em Lourenço Marques com o Jorge Mendonça e na África do Sul não o pôde fazer. Eles tinham um campeonato para brancos e outro para negros. Mas porquê? Se somos todos iguais: brancos, pretos, amarelos, azuis... Na África do Sul, era assim. E lembro-me que o Atlético Clube de Portugal [faz questão de repetir o nome do clube] chegou à África do Sul e voltou logo para Portugal, porque recusou as imposições dos sul-africanos, de jogar sem o Ben David, que era cá um jogador [quatro golos em seis internacionalizações por Portugal, entre 1950 e 1952]. Mas volto ao Carlos Gomes.
Ok. Carlos Gomes, então
Num jogo desses, ele foi expulso de campo. E eu lembro-me, tão bem, mas tão bem, da malandrice dele. [Eusébio faz o gesto do árbitro "para a rua", porque ainda não havia cartões, e traça uma grande área imaginária com talheres, pratos e copos, sem tirar o guardanapo de cima daquele que tem água] Ele foi da baliza até à bandeirola de canto e daí até ao meio-campo sempre pela linha, sem nunca sair do campo. Estavam todos a olhar para ele, a ver quando saía para recomeçar o jogo. Quando ele chegou ao meio-campo, desapareceu rumo ao balneário. Quando cheguei a Portugal, vi-o e disse para mim ''olha quem é ele''.
Quando chegou a Portugal... Ainda se lembra do primeiro jogo que viu do Benfica?
Claro. Cheguei numa quinta-feira [15 de Dezembro], depois da mais longa viagem de sempre. Acho que foram 30 ou 31 horas de avião. Tantas escalas... Só me lembro de uma: Dacar [Senegal].
E depois?
Bem, cheguei a Lisboa à noite e do aeroporto fui para o Lar do Jogador, onde conheci todos os jogadores e mais o treinador, o Bela Guttmann. Sabes que ele nunca me tratou por Eusébio? Nunca! Era sempre o menino. O menino tem de ir connosco, o menino tem de fazer isto, o menino tem aquilo... Do Lar do Jogador, viajei para a Covilhã. Apanhei o comboio aqui [e aponta lá para fora, para a Estação do Rego]. Fazia cá um frio lá em cima. Quis ir-me embora. De lá, da Covilhã, e até de Portugal. Foi o Coluna que me sossegou. Eu conhecia-o de Lourenço Marques e as nossas famílias davam-se bem. Eu até tratava a mãe dele por tia. E o meu irmão deu-me uma carta para lhe entregar no dia em que o visse em Lisboa. Nesse jogo na Covilhã, começámos a perder mas ganhámos 3-1.
Chegou em Dezembro de 1960 mas só se estreou em Junho de 1961.
Sim, houve muita burocracia pelo meio, entre Sporting, Benfica, federação... Em Junho, lá me estreei. A 1 de Junho, no dia seguinte ao Benfica ter ganho a primeira Taça dos Campeões [3-2 ao Barcelona, em Berna]. A Federação Portuguesa não quis adiar o jogo e o Benfica apresentou a equipa B. Perdemos 4-1, nos Arcos.
Mas o Eusébio marcou um golo [o 473.º e último golo oficial de Eusébio pelo Benfica, em Março de 1975, também foi com o V. Setúbal, mas já no Bonfim]
Sim, o 3-1.
E também falhou um penálti?
È verdade, defendido pelo Félix. O pai do Mourinho.
Falhou mais penáltis?
Um para o Maló, da Académica [na Luz, em Outubro de 1966: 2-1 para o Benfica]. E outro para o União de Almeirim.
Como é que é?
Para a Taça de Portugal, com o União de Almeirim [32 avos-de-final, a 9 de Fevereiro de 1969]. Ganhámos 8-0, eu já tinha marcado três ou quatro, não me lembro bem [foram três, e vale a pena dizer que Eusébio marcou 18 em nove jogos nessa edição da Taça, que o Benfica levantou, numa final com a Académica, que meteu prolongamento e só se evitou um segundo jogo por-culpa-vocês-sabem-de-quem]. E houve um penálti. Eu fui batê-lo e o guarda-redes disse-me que o pai dele estava no Estádio da Luz. Eu então disse-lhe que ia atirar para aquele lado [Eusébio aponta o seu lado direito] e ele foi lá buscá-la. Eu e ele tirámos fotografias, com o pai também, e, durante essa semana, ele virou herói nacional, com reportagens numa série de jornais. Foi engraçado [e sorri largamente, como se lhe estivessem a dar uma Bola de Ouro].
Seis derrotas na Luz, 11 títulos de campeão nacional em 15 épocas, três penáltis falhados, duas Botas de Ouro [melhor marcador europeu] e uma Bola de Ouro [melhor jogador da Europa para a France Football]. Que carreira. Falta-lhe alguma coisa?
Já que fala nisso... Podia ter ganho duas Bolas de Ouro.
Pois. Ganhou uma em 1965, com oito pontos de vantagem sobre Facchetti, lateral italiano do Inter. Mas perdeu a de 1966, para Bobby Charlton. Por um ponto, não foi?
Sim. Um ponto.
E o voto foi de um jornalista português, o Couto e Santos, do Mundo Desportivo. Ele votou no Bobby Charlton em primeiro lugar, eu em segundo [em 1966, Charlton foi campeão do mundo e eleito o melhor jogador pela FIFA numa prova em que Eusébio foi melhor marcador destacado, com nove golos em seis jogos]. O Charlton acabou com 81 pontos, eu com 80. Se ele votasse em mim, seria o contrário: eu 81, o Charlton 80.
E alguma vez falou com Couto e Santos sobre isso?
Siiim. Ele sempre me disse que votou no Charlton porque julgava que eu ia ganhar com avanço. Como é que alguém pode pensar isso numa votação secreta? E o que é que eu podia fazer-lhe? Nada, não é? Apenas perguntei-lhe e ele respondeu-me desta forma. Se ele votasse, eu seria o primeiro jogador a ganhar a Bola de Ouro duas vezes seguidas.
A Bola de Ouro perdida para o Bobby Charlton. Mais alguma coisa que lhe falta? Li algures que nunca jogou com o Matateu.
É verdade, o Matateu. Ele nunca jogou comig... Desculpa, eu nunca joguei com o Matateu. Assim é que é, assim é que se deve dizer: eu nunca joguei com ele. Só uns treinos na selecção portuguesa, com o Peyroteo a treinador. [E o Luís Piçarra entra novamente pelos nossos ouvidos dentro... Eusébio é ou não é um prato?]
O Eusébio que foi eleito pela FIFA como o nono melhor jogador de todos os tempos no século XX. À sua frente, Pelé (que pede uma batelada de dólares por cada entrevista), Cruijff (é difícil falar com alguém que divide os seus dias entre o golfe e o... golfe), Beckenbauer (Munique é já ali, mas o Kaiser "só com marcação, se faz favor"), Di Stéfano (o presidente honorário do Real Madrid tem mais do que fazer do que dar entrevistas, a não ser que seja um evento-homenagem), Maradona (alguém tem aí o telefone do Fidel?), Puskas (só está entre nós no pensamento), Platini (é o presidente da UEFA e "três occupé") e Garrincha (é de outro mundo, e se não fosse fintava os jornalistas cá com uma pinta...). O que nos deixa no nono classificado do top da FIFA: Eusébio. Que atende o telefone na boa, como se fosse o Manel ou o Jaquim.
Aqui está o ponto de partida para a expressão "Eusébio é um prato": o assessor de Eusébio é o próprio Eusébio da Silva Ferreira. Atende o telefone, ouve e diz de sua justiça. O i quer entrevistá-lo na segunda-feira à noite, dia 13. Resposta dele: "Não, não pode ser. Daqui a 15 minutos, começa o Manchester United-Arsenal. Tenho de ver esse jogo. Liga-me amanhã." Muito bem, que seja na terça-feira, 14. "Hoje? Não, não dá. Então agora vou almoçar e depois tenho de ver [por momentos, ainda temi o pior e que fosse o Motherwell-Hearts, da Escócia] a meia-final do Mundial de clubes [Mazembe-Internacional]. A ver se amanhã nos entendemos, ok?" Okay, Eusébio. "Quando? Hoje? Ehhh, desculpa lá, mas não vai dar. Tenho de ver Rapid Viena-FC Porto [Liga Europa]." Mas desta vez lançamos um contra-ataque, que julgávamos ser venenoso. Qual quê! "Amanhã, quinta-feira? [a falar baixinho mas a pensar alto] às 18h, é o Levski-Sporting [com voz normal] O Sporting joga e tenho de ver. Isto está engatado. Amanhã ou depois, passa pela Tia Matilde à hora de almoço e estou lá, de certeza." Dito. E feito. É sábado, dia do Benfica-Rio Ave, e Eusébio lá está, como prometido, no balcão da Tia Matilde. Quando nos vê, não se deixa surpreender (pudera!) e diz com um sorriso: "Estava difícil, hein! Mas como vês, deu tudo certo."
O i senta-se ao lado dele. Eusébio está sentado, à espera do almoço. É cumprimentado por todos aqueles que lhe passam ao lado. Há quem o chame Eusébio ou king. Dá para tudo. Eusébio, como um rei, estica sempre o polegar em sinal de ok. Nós bem dizíamos, é um prato. E, durante uma hora, a conversa é deliciosa. Eusébio fala com calma. Avança como se fosse um extremo, às vezes recua, que é como quem diz rectifica, depois avança novamente e fala sem parar, ziguezagueando pelo vocabulário à procura da melhor palavra para qualificar este ou aquele ou para definir um ou outro momento, seja glorioso ou simplesmente anedótico. Eusébio é um prato. Já tínhamos dito? A sua memória tem não sei quantos megas de ram. Aí está outro dado que o enobrece: fala do que sabe, com pormenores incríveis. Com ele, não há cá reticências. Quando o seu almoço chega ao balcão, serve-se e tapa o copo de água com um guardanapo. Vai começar a falar... mas o seu raciocínio é interrompido pelo toque do telemóvel. É o Luís Piçarra. O toque do telemóvel, claro. "Sou do Benfica/E isso me envaidece/Tenho a genica/Que a qualquer engrandece/Sou de um clube lutador/Que na luta com fervor/Nunca encontrou rival/Neste nosso Portugal". Eusébio olha para o monitor, atende, fala de mansinho e adia a conversa para outra altura. Agora, é a hora do i. Finalmente.
Isso é o "Ser Benfiquista"...
Sim. Do Luís Piçarra! Nem imaginas o frisson que a música causava a nós, jogadores, antes dos jogos. Estávamos ali perfilados, com o adversário e os árbitros, de repente os altifalantes davam a música, nós ficávamos em pele de galinha e era como que entrássemos em campo já a ganhar. Fosse quem fosse. O Sporting ou o Real Madrid.
Pois, é curioso que fala nisso, porque vai ao encontro de uma das minhas perguntas: como é possível o Eusébio ter estado 15 anos no Benfica e só ter perdido seis jogos em 275 no Estádio da Luz? E como é que o Eusébio marcou em quatro dessas derrotas?
A sério? Seis? E já foram muitas [e ri-se com vontade]. Com quem foram?
Santos de Pelé (2-5) e FC Porto (1-2) em 1962, Sporting (0-2) em 1963, outra vez Sporting (2-4) em 1965, Manchester United (1-5) em 1966 e Ajax (1-3) em 1969.
[Eusébio olha para o ar e começa a falar só para si, mas alto] Desses seis, só dois foram para o campeonato nacional [FC Porto e Sporting-65]. O Santos, para a Taça Intercontinental. Manchester United e Ajax, para a Taça dos Campeões. E esse 2-0 com o Sporting para a Taça de Portugal. Ganhámos lá, em Alvalade, por 1-0, golo do Águas. Depois, perdemos 2-0. Dois do Figueiredo. Olha, foi essa vitória que nos tirou da final da Taça de Portugal mas permitiu ao Sporting ganhar 4-0 ao V. Guimarães e garantir o lugar na Taça das Taças, que haveria de levantar na época seguinte. Nada mal, ajudámos o Sporting, não foi?! [e ri-se mais ainda, entre dois toques do Luís Piçarra].
Porque é que disse "fosse quem fosse: o Sporting ou o Real Madrid"?
O Sporting, porque representei-os em Lourenço Marques, agora Maputo, e porque sempre foi o grande rival do Benfica. Nas 15 épocas de Benfica, fomos campeões nacionais 11 vezes e eles quatro. O FC Porto nunca foi campeão português no meu tempo. E também raramente me ganhou. Na Luz, já vimos, só uma vez. E lembro-me de uma outra vez, bem mais pesada: 4-0 nas Antas. Quatro golos do Lemos. Lembro-me perfeitamente do Rui, que era o guarda-redes do Porto, a dizer-me isso: ''Este ano é nosso'' [esse 4-0 foi em Janeiro de 1971 e estávamos na 18.ª jornada, pelo que faltavam oito para acabar o campeonato, aí liderado por Sporting, com três pontos de avanço sobre V. Setúbal, Benfica e FC Porto]. Eu disse-lhe: ''cuidado com isso, Rui. Ainda vamos ser nós os campeões.'' E fomos mesmo campeões [com três pontos de avanço sobre o Sporting, quatro sobre o FC Porto e sete sobre o V. Setúbal]. No dia em que nos sagrámos campeões, na última jornada, 5-1 à Académica [e faz o gesto de cinco com a mão direita, depois de pousar o garfo no prato], o Rui ligou-me para casa, porque naquela altura não havia nada de telemóveis: ''Tinhas razão. Vocês foram mesmo os campeões. Parabéns.'' Foi um gesto bonito, o dele.
E o Real Madrid?
O quê?
E o Real Madrid? Disse "fosse quem fosse...
Ah, está bem. Desde que me lembro da minha existência [Eusébio nasceu em Janeiro de 1942], o Real Madrid sempre foi a equipa. A máquina. E o Di Stéfano o meu grande ídolo. Eu estava em África e ouvia falar muito do Di Stéfano, do senhor que ele era, do futebol que ele jogava. Não o via a jogar, claro, mas os jornais que chegavam a Lourenço Marques, com dois ou três dias de atraso em relação à data da edição, noticiavam as façanhas do Real Madrid, a equipa que dominava o panorama europeu, como se viu com a conquista das cinco Taças dos Campeões seguidas [entre 1956 e 1960]. E o Di Stéfano era o meu ídolo.
E calhou logo encontrá-lo na sua primeira final europeia, em 1962!
Pois foi. Ganhámos 5-3, a perder 3-2 ao intervalo com três golos do Puskas. Na segunda parte, demos a volta e marquei dois golos, um deles de penálti. Antes do jogo, eu disse ao Coluna para pedir autorização ao Di Stéfano que me desse a sua camisola número 9 no final. Jogámos, ganhámos e, quando o árbitro apitou para o fim, lembrei ao Coluna o pedido da camisola. Lá fomos e o Di Stéfano, cabisbaixo mas afável, deu-me a camisola. Vê lá, tinha acabado de me sagrar campeão europeu e só queria a camisola do Di Stéfano. Está guardada, e é uma relíquia.
Já naquele tempo era costume trocar de camisola?
Não muito, mas eu era novo e o Di Stéfano era uma referência. Ainda hoje é! Aquele era o momento.
Trocou com mais quem?
Tanta gente. Hilário, do Sporting.
E voltámos ao Sporting. Por muitos defesas que o tenham marcado, foi um guarda-redes que ficou célebre por sua causa: o Damas!
Grande amigo. Havia uma rivalidade dentro de campo pelas equipas que representávamos mas a nossa amizade era superior a tudo isso. Quando nos encontrávamos por acaso em Lisboa, íamos almoçar ou jantar ou as duas coisas com as nossas famílias. Juntos, vivemos grandes tardes. Na Luz, em Alvalade, no Jamor. Grande homem, grande guarda-redes.
O Damas também ficou conhecido como o Eusébio do Sporting. Aliás, imagine Portugal sem Eusébio. Não havia estátua Eusébio no Estádio da Luz, não havia Damas como Eusébio do Sporting, não havia jogador português no top 10 dos melhores de sempre do século XX, provavelmente o Sporting tinha ganho mais campeonatos, o Benfica menos... Pergunta: se o Eusébio não tivesse vindo para Portugal, o que estava agora a fazer?
A jogar futebol. Acredita em mim. O meu futuro seria sempre futebolista. Há até uma história curiosa. A minha mãe nunca me quis deixar ir embora de Lourenço Marques. Aos 15 anos, a Juventus, a Juventus de Itália, ok?, queria contratar-me, porque um olheiro deles, que tinha sido um conhecido guarda-redes italiano da Juventus, viu-me e disse-lhes que havia ali um rapaz com potencial, que seria bom aproveitar enquanto eu estivesse incógnito. A Juventus chegou-se à frente mas a minha mãe não quis ouvir nada nem ninguém.
Como eram esses tempos em Lourenço Marques?
Grandiosos. Lembro-me dos jogos que fazíamos. Lembro-me de procurar meias, enrolá-las todas, misturá-las com papel de jornal e daí fazer uma bola. E lembro-me também dos nossos concursos. Quem ganhasse, comia dez castanhas!
Como é que era isso?
Eram concursos de habilidade. Tínhamos de fazer corridas com distâncias pré-definidas a dar toques naquelas bolas [e começa a explicar por gestos, com as duas mãos]. Primeira prova: 20 metros. O primeiro a dar chegar à linha da meta sem deixar a bola e trocá-la do pé direito para o esquerdo o maior número de vezes possível qualificava-se para a fase seguinte, que era a prova dos 50 metros, daí para os 100 e acabávamos nos 200 metros. Sempre na mesma coisa: pé direito, pé esquerdo, pá, pá, pá, pá [as mãos a bater uma na outra fazem eco na Tia Matilde] até cortar a meta. Aquilo eram tardes a fio, dias seguidos, meses, anos... O vencedor ganhava castanhas que assávamos ali na hora, mas nunca, nem por uma vez, o vencedor ficou com todas as castanhas. Qualquer que fosse o vencedor, dividia-as com todos os outros. Ehhh, grandes tempos [olha em frente, para uma parede vazia de conteúdo, mas os olhos transmitem emoção]. Cá em Portugal, o meu treino era outro, claro.
Então?
No final de cada treino, eu ficava no campo a treinar remates. Punha dez bolas ao longo da grande área e ia rematando à baliza. Pá, pá, pá [a Tia Matilde não estremece com o eco, mas pouco falta], pé direito, pé esquerdo, ao ângulo superior, rasteiro ao poste mais distante. Fazia este exercício dez vezes por dia, o que dava cem remates no total. Dez à vez, depois ia buscar as bolas, porque não havia cá apanha-bolas nem nada, não é? Distribuía as bolas outra vez pela área e pá, pá, pá, pá.
Um dia destes, vi uma fotografia sua à baliza. O Eusébio tinha estilo, hããã!
[sem mexer as pernas nem os pés, move o tronco para direita e para a esquerda] O treino de guarda-redes era o melhor para os rins, para os abdominais. Para ficar definitivamente em forma, ia à baliza na parte final dos treinos e dizia ao Simões para me atirar bolas para o lado esquerdo e para o lado direito. Com a mão, mas também em jogadas de um para um. E eu atirava-me aos pés dele.
Podia então ter defendido a baliza do Benfica naquela final da Taça dos Campeões com o Inter, em Milão, quando o Costa Pereira se lesionou?
Sim, podia.
Bem... se fosse, a sua lenda era maior ainda: ir à baliza numa final da Taça dos Campeões. E se não sofresse nenhum golo, como aconteceu com o Germano? Aí então...
Nessa final com o Inter, havia três hipóteses: eu, o Cavém e o Germano. Como estávamos a perder e precisávamos de dar a volta, eu fiquei na frente e lá foi o Germano para a baliza, que manteve o 1-0. Ele já estava a coxear e sem hipótese de acompanhar o arranque de algum adversário.
Sabe qual foi o guarda-redes a quem marcou mais golos?
Não.
Ao Américo, do FC Porto.
Quantos?
17.
Estivemos juntos no Mundial-66. Belo guarda-redes. Porto e Sporting sempre estiveram bem representados na baliza.
Tirando o Damas, quem se destacava mais? Carvalho, Octávio de Sá, Carlos Gomes...
O Carlos Gomes [e olha para a frente, como se o estivesse a ver naquele preciso momento]. Uma vez, quando ele defendia o Atlético, treinado pelo José Águas [1961-62], o intervalo de um jogo com o Benfica demorou mais tempo que o habitual. A PIDE estava na Tapadinha e ia levá-lo para interrogatório. Mas só depois do jogo. Ao intervalo, um amigo dele, que também era meu, alertou-o para isso, meteu-o na bagageira de um boca de sapo [Citröen] e lá foram para Badajoz. O Carlos Gomes foi parar a Marrocos, a jogar no Tânger. E o intervalo desse jogo demorou sei lá o quê. Quando o Atlético entrou em campo, o Carlos Gomes já estava a caminho de Badajoz. Sabes porque é que o Carlos Gomes está aqui? [e aponta para a cabeça]
Não faço ideia. Sei que ele sempre foi irreverente e que jogava de preto, em protesto com o amadorismo do futebol e dos seus dirigentes.
Não [e esboça um sorriso largo]. Lembro-me dele era eu um miúdo de oito anos e ia ver com o meu tio os particulares das equipas portuguesas em Lourenço Marques. Era um costume, e antes dessa equipas regressarem a Portugal, ainda iam à África do Sul para ganhar mais um cachet. Lá, os negros não podiam jogar. Lembro-me que o Sporting jogou em Lourenço Marques com o Jorge Mendonça e na África do Sul não o pôde fazer. Eles tinham um campeonato para brancos e outro para negros. Mas porquê? Se somos todos iguais: brancos, pretos, amarelos, azuis... Na África do Sul, era assim. E lembro-me que o Atlético Clube de Portugal [faz questão de repetir o nome do clube] chegou à África do Sul e voltou logo para Portugal, porque recusou as imposições dos sul-africanos, de jogar sem o Ben David, que era cá um jogador [quatro golos em seis internacionalizações por Portugal, entre 1950 e 1952]. Mas volto ao Carlos Gomes.
Ok. Carlos Gomes, então
Num jogo desses, ele foi expulso de campo. E eu lembro-me, tão bem, mas tão bem, da malandrice dele. [Eusébio faz o gesto do árbitro "para a rua", porque ainda não havia cartões, e traça uma grande área imaginária com talheres, pratos e copos, sem tirar o guardanapo de cima daquele que tem água] Ele foi da baliza até à bandeirola de canto e daí até ao meio-campo sempre pela linha, sem nunca sair do campo. Estavam todos a olhar para ele, a ver quando saía para recomeçar o jogo. Quando ele chegou ao meio-campo, desapareceu rumo ao balneário. Quando cheguei a Portugal, vi-o e disse para mim ''olha quem é ele''.
Quando chegou a Portugal... Ainda se lembra do primeiro jogo que viu do Benfica?
Claro. Cheguei numa quinta-feira [15 de Dezembro], depois da mais longa viagem de sempre. Acho que foram 30 ou 31 horas de avião. Tantas escalas... Só me lembro de uma: Dacar [Senegal].
E depois?
Bem, cheguei a Lisboa à noite e do aeroporto fui para o Lar do Jogador, onde conheci todos os jogadores e mais o treinador, o Bela Guttmann. Sabes que ele nunca me tratou por Eusébio? Nunca! Era sempre o menino. O menino tem de ir connosco, o menino tem de fazer isto, o menino tem aquilo... Do Lar do Jogador, viajei para a Covilhã. Apanhei o comboio aqui [e aponta lá para fora, para a Estação do Rego]. Fazia cá um frio lá em cima. Quis ir-me embora. De lá, da Covilhã, e até de Portugal. Foi o Coluna que me sossegou. Eu conhecia-o de Lourenço Marques e as nossas famílias davam-se bem. Eu até tratava a mãe dele por tia. E o meu irmão deu-me uma carta para lhe entregar no dia em que o visse em Lisboa. Nesse jogo na Covilhã, começámos a perder mas ganhámos 3-1.
Chegou em Dezembro de 1960 mas só se estreou em Junho de 1961.
Sim, houve muita burocracia pelo meio, entre Sporting, Benfica, federação... Em Junho, lá me estreei. A 1 de Junho, no dia seguinte ao Benfica ter ganho a primeira Taça dos Campeões [3-2 ao Barcelona, em Berna]. A Federação Portuguesa não quis adiar o jogo e o Benfica apresentou a equipa B. Perdemos 4-1, nos Arcos.
Mas o Eusébio marcou um golo [o 473.º e último golo oficial de Eusébio pelo Benfica, em Março de 1975, também foi com o V. Setúbal, mas já no Bonfim]
Sim, o 3-1.
E também falhou um penálti?
È verdade, defendido pelo Félix. O pai do Mourinho.
Falhou mais penáltis?
Um para o Maló, da Académica [na Luz, em Outubro de 1966: 2-1 para o Benfica]. E outro para o União de Almeirim.
Como é que é?
Para a Taça de Portugal, com o União de Almeirim [32 avos-de-final, a 9 de Fevereiro de 1969]. Ganhámos 8-0, eu já tinha marcado três ou quatro, não me lembro bem [foram três, e vale a pena dizer que Eusébio marcou 18 em nove jogos nessa edição da Taça, que o Benfica levantou, numa final com a Académica, que meteu prolongamento e só se evitou um segundo jogo por-culpa-vocês-sabem-de-quem]. E houve um penálti. Eu fui batê-lo e o guarda-redes disse-me que o pai dele estava no Estádio da Luz. Eu então disse-lhe que ia atirar para aquele lado [Eusébio aponta o seu lado direito] e ele foi lá buscá-la. Eu e ele tirámos fotografias, com o pai também, e, durante essa semana, ele virou herói nacional, com reportagens numa série de jornais. Foi engraçado [e sorri largamente, como se lhe estivessem a dar uma Bola de Ouro].
Seis derrotas na Luz, 11 títulos de campeão nacional em 15 épocas, três penáltis falhados, duas Botas de Ouro [melhor marcador europeu] e uma Bola de Ouro [melhor jogador da Europa para a France Football]. Que carreira. Falta-lhe alguma coisa?
Já que fala nisso... Podia ter ganho duas Bolas de Ouro.
Pois. Ganhou uma em 1965, com oito pontos de vantagem sobre Facchetti, lateral italiano do Inter. Mas perdeu a de 1966, para Bobby Charlton. Por um ponto, não foi?
Sim. Um ponto.
E o voto foi de um jornalista português, o Couto e Santos, do Mundo Desportivo. Ele votou no Bobby Charlton em primeiro lugar, eu em segundo [em 1966, Charlton foi campeão do mundo e eleito o melhor jogador pela FIFA numa prova em que Eusébio foi melhor marcador destacado, com nove golos em seis jogos]. O Charlton acabou com 81 pontos, eu com 80. Se ele votasse em mim, seria o contrário: eu 81, o Charlton 80.
E alguma vez falou com Couto e Santos sobre isso?
Siiim. Ele sempre me disse que votou no Charlton porque julgava que eu ia ganhar com avanço. Como é que alguém pode pensar isso numa votação secreta? E o que é que eu podia fazer-lhe? Nada, não é? Apenas perguntei-lhe e ele respondeu-me desta forma. Se ele votasse, eu seria o primeiro jogador a ganhar a Bola de Ouro duas vezes seguidas.
A Bola de Ouro perdida para o Bobby Charlton. Mais alguma coisa que lhe falta? Li algures que nunca jogou com o Matateu.
É verdade, o Matateu. Ele nunca jogou comig... Desculpa, eu nunca joguei com o Matateu. Assim é que é, assim é que se deve dizer: eu nunca joguei com ele. Só uns treinos na selecção portuguesa, com o Peyroteo a treinador. [E o Luís Piçarra entra novamente pelos nossos ouvidos dentro... Eusébio é ou não é um prato?]
terça-feira, 30 de novembro de 2010
os gangsters!
alguma coisa vai mal quando um clube de futebol, que até está a 8 pontos do segundo classificado, vem comentar a tentativa do JJ para que um tal de cadete cumprisse os regulamentos a que está adstrito. só tenho pena que alguns dos poucos, mas grandes amigos que tenho do fcp, ainda não tenham visto quem está à frente dos destinos de um clube que nunca deixará de ser regional. gangsters? não consigo parar de rir com tamanha manifestação de ridículo.
xau
Cardozo, Tacuara Cardozo, o melhor goleador do Benfica da última vintena de anos voltou e com ele a alegria de Saviola voltou ao relvado.
o futebol simples de Tacuara faz renascer a esperança numa segunda volta em que tudo é possível.
xau.
o futebol simples de Tacuara faz renascer a esperança numa segunda volta em que tudo é possível.
xau.
sexta-feira, 26 de novembro de 2010
os meninos mimados e o que ainda temos a ganhar
no ano passado por esta altura, fonte que lidou de perto com o nosso número 23, confidenciou-me que este lhe terá dito que já não tinham paciência para ouvir o JJ.
depois disso, veio o jogo com o olhanense e a vitória frente aos actuais líderes do campeonato que nos catapultou para o ceptro.
nesta altura do campeonato, com muita coisa deitada à rua, ainda podemos ter alguma esperança, caso o nosso 23, perfeitamente deslumbrado com todas as notícias de que vale isto e aquilo, e outros que por lá andam, saírem em janeiro. mas como não podem sair todos, o inevitável é que seja o JJ a sair, não pelo seu pé, mas despedido. e aí vai ser o bom e o bonito, porque o homem não vai calar-se até ao final do campeonato e até que entre pela porta grande como treinador do nosso maior adversário nos tempos que correm.
percebe-se que JJ não soube lidar com o êxito como não o souberam o presidente e a escória que o rodeia. as afirmações ébrias que temos ouvido desde o final da época passada são disso espelho.
claro que o futebol é o penalty não marcado e o golo mal anulado, como tivemos alguns este ano, incluindo em telavive. mas isso não chega como desculpa. é preciso jogar à bola, comer a relva e pensar em honrar os contratos que se assinaram.
não sou ingénuo ao ponto de pensar que o futebol de hoje é igual ao da minha infância em que os jogadores ainda tinham amor à camisola. mas, cum camandro, daí a serem uns meninos mimados como o nosso 23 ou alguns dos que por lá andam, vai uma grande distância.
apesar de tudo, ainda podemos ter algumas coisas a ganhar, a primeira delas experiência para que os erros não voltem a repetir-se.
não que tivesse grandes esperanças em ganhar o que quer que fosse na champions e até acho que se tudo correr bem, pode ter sido o melhor que nos aconteceu, já que na liga europa podemos ter uma palavra a dizer.
depois disso, veio o jogo com o olhanense e a vitória frente aos actuais líderes do campeonato que nos catapultou para o ceptro.
nesta altura do campeonato, com muita coisa deitada à rua, ainda podemos ter alguma esperança, caso o nosso 23, perfeitamente deslumbrado com todas as notícias de que vale isto e aquilo, e outros que por lá andam, saírem em janeiro. mas como não podem sair todos, o inevitável é que seja o JJ a sair, não pelo seu pé, mas despedido. e aí vai ser o bom e o bonito, porque o homem não vai calar-se até ao final do campeonato e até que entre pela porta grande como treinador do nosso maior adversário nos tempos que correm.
percebe-se que JJ não soube lidar com o êxito como não o souberam o presidente e a escória que o rodeia. as afirmações ébrias que temos ouvido desde o final da época passada são disso espelho.
claro que o futebol é o penalty não marcado e o golo mal anulado, como tivemos alguns este ano, incluindo em telavive. mas isso não chega como desculpa. é preciso jogar à bola, comer a relva e pensar em honrar os contratos que se assinaram.
não sou ingénuo ao ponto de pensar que o futebol de hoje é igual ao da minha infância em que os jogadores ainda tinham amor à camisola. mas, cum camandro, daí a serem uns meninos mimados como o nosso 23 ou alguns dos que por lá andam, vai uma grande distância.
apesar de tudo, ainda podemos ter algumas coisas a ganhar, a primeira delas experiência para que os erros não voltem a repetir-se.
não que tivesse grandes esperanças em ganhar o que quer que fosse na champions e até acho que se tudo correr bem, pode ter sido o melhor que nos aconteceu, já que na liga europa podemos ter uma palavra a dizer.
quinta-feira, 25 de novembro de 2010
obviamente, demita-se ou demitam-no
e com o treinador pode ir o director desportivo e o presidente.
não podemos ter amadores à frente do Sport Lisboa e Benfica.
não podemos ter amadores à frente do Sport Lisboa e Benfica.
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