terça-feira, 28 de dezembro de 2010

O KING ao i

como disse e bem o Xô Vici, a não perder a entrevista do King ao i.

Eusébio é um prato. E não dizemos isto só porque o entrevistámos na Tia Matilde, durante a hora (adiantada) de almoço. É a pura convicção do i. Eusébio é um prato, expressão que indicia divertimento e afabilidade. Vamos por partes: o i quer entrevistá-lo a propósito da sua chegada a Portugal, fez 50 anos no dia 15, e telefona-lhe. Assim, sem passar por ninguém. Do outro lado atende Eusébio, como um comum mortal. E toda a gente sabe que Eusébio não é um qualquer. É O Eusébio, com "o" maiúsculo. O Eusébio que ainda hoje suscita admiração e é reconhecido em qualquer parte do mundo, seja na Bósnia, na Venezuela ou no Vietname.

O Eusébio que foi eleito pela FIFA como o nono melhor jogador de todos os tempos no século XX. À sua frente, Pelé (que pede uma batelada de dólares por cada entrevista), Cruijff (é difícil falar com alguém que divide os seus dias entre o golfe e o... golfe), Beckenbauer (Munique é já ali, mas o Kaiser "só com marcação, se faz favor"), Di Stéfano (o presidente honorário do Real Madrid tem mais do que fazer do que dar entrevistas, a não ser que seja um evento-homenagem), Maradona (alguém tem aí o telefone do Fidel?), Puskas (só está entre nós no pensamento), Platini (é o presidente da UEFA e "três occupé") e Garrincha (é de outro mundo, e se não fosse fintava os jornalistas cá com uma pinta...). O que nos deixa no nono classificado do top da FIFA: Eusébio. Que atende o telefone na boa, como se fosse o Manel ou o Jaquim.

Aqui está o ponto de partida para a expressão "Eusébio é um prato": o assessor de Eusébio é o próprio Eusébio da Silva Ferreira. Atende o telefone, ouve e diz de sua justiça. O i quer entrevistá-lo na segunda-feira à noite, dia 13. Resposta dele: "Não, não pode ser. Daqui a 15 minutos, começa o Manchester United-Arsenal. Tenho de ver esse jogo. Liga-me amanhã." Muito bem, que seja na terça-feira, 14. "Hoje? Não, não dá. Então agora vou almoçar e depois tenho de ver [por momentos, ainda temi o pior e que fosse o Motherwell-Hearts, da Escócia] a meia-final do Mundial de clubes [Mazembe-Internacional]. A ver se amanhã nos entendemos, ok?" Okay, Eusébio. "Quando? Hoje? Ehhh, desculpa lá, mas não vai dar. Tenho de ver Rapid Viena-FC Porto [Liga Europa]." Mas desta vez lançamos um contra-ataque, que julgávamos ser venenoso. Qual quê! "Amanhã, quinta-feira? [a falar baixinho mas a pensar alto] às 18h, é o Levski-Sporting [com voz normal] O Sporting joga e tenho de ver. Isto está engatado. Amanhã ou depois, passa pela Tia Matilde à hora de almoço e estou lá, de certeza." Dito. E feito. É sábado, dia do Benfica-Rio Ave, e Eusébio lá está, como prometido, no balcão da Tia Matilde. Quando nos vê, não se deixa surpreender (pudera!) e diz com um sorriso: "Estava difícil, hein! Mas como vês, deu tudo certo."

O i senta-se ao lado dele. Eusébio está sentado, à espera do almoço. É cumprimentado por todos aqueles que lhe passam ao lado. Há quem o chame Eusébio ou king. Dá para tudo. Eusébio, como um rei, estica sempre o polegar em sinal de ok. Nós bem dizíamos, é um prato. E, durante uma hora, a conversa é deliciosa. Eusébio fala com calma. Avança como se fosse um extremo, às vezes recua, que é como quem diz rectifica, depois avança novamente e fala sem parar, ziguezagueando pelo vocabulário à procura da melhor palavra para qualificar este ou aquele ou para definir um ou outro momento, seja glorioso ou simplesmente anedótico. Eusébio é um prato. Já tínhamos dito? A sua memória tem não sei quantos megas de ram. Aí está outro dado que o enobrece: fala do que sabe, com pormenores incríveis. Com ele, não há cá reticências. Quando o seu almoço chega ao balcão, serve-se e tapa o copo de água com um guardanapo. Vai começar a falar... mas o seu raciocínio é interrompido pelo toque do telemóvel. É o Luís Piçarra. O toque do telemóvel, claro. "Sou do Benfica/E isso me envaidece/Tenho a genica/Que a qualquer engrandece/Sou de um clube lutador/Que na luta com fervor/Nunca encontrou rival/Neste nosso Portugal". Eusébio olha para o monitor, atende, fala de mansinho e adia a conversa para outra altura. Agora, é a hora do i. Finalmente.

Isso é o "Ser Benfiquista"...

Sim. Do Luís Piçarra! Nem imaginas o frisson que a música causava a nós, jogadores, antes dos jogos. Estávamos ali perfilados, com o adversário e os árbitros, de repente os altifalantes davam a música, nós ficávamos em pele de galinha e era como que entrássemos em campo já a ganhar. Fosse quem fosse. O Sporting ou o Real Madrid.

Pois, é curioso que fala nisso, porque vai ao encontro de uma das minhas perguntas: como é possível o Eusébio ter estado 15 anos no Benfica e só ter perdido seis jogos em 275 no Estádio da Luz? E como é que o Eusébio marcou em quatro dessas derrotas?

A sério? Seis? E já foram muitas [e ri-se com vontade]. Com quem foram?

Santos de Pelé (2-5) e FC Porto (1-2) em 1962, Sporting (0-2) em 1963, outra vez Sporting (2-4) em 1965, Manchester United (1-5) em 1966 e Ajax (1-3) em 1969.

[Eusébio olha para o ar e começa a falar só para si, mas alto] Desses seis, só dois foram para o campeonato nacional [FC Porto e Sporting-65]. O Santos, para a Taça Intercontinental. Manchester United e Ajax, para a Taça dos Campeões. E esse 2-0 com o Sporting para a Taça de Portugal. Ganhámos lá, em Alvalade, por 1-0, golo do Águas. Depois, perdemos 2-0. Dois do Figueiredo. Olha, foi essa vitória que nos tirou da final da Taça de Portugal mas permitiu ao Sporting ganhar 4-0 ao V. Guimarães e garantir o lugar na Taça das Taças, que haveria de levantar na época seguinte. Nada mal, ajudámos o Sporting, não foi?! [e ri-se mais ainda, entre dois toques do Luís Piçarra].

Porque é que disse "fosse quem fosse: o Sporting ou o Real Madrid"?

O Sporting, porque representei-os em Lourenço Marques, agora Maputo, e porque sempre foi o grande rival do Benfica. Nas 15 épocas de Benfica, fomos campeões nacionais 11 vezes e eles quatro. O FC Porto nunca foi campeão português no meu tempo. E também raramente me ganhou. Na Luz, já vimos, só uma vez. E lembro-me de uma outra vez, bem mais pesada: 4-0 nas Antas. Quatro golos do Lemos. Lembro-me perfeitamente do Rui, que era o guarda-redes do Porto, a dizer-me isso: ''Este ano é nosso'' [esse 4-0 foi em Janeiro de 1971 e estávamos na 18.ª jornada, pelo que faltavam oito para acabar o campeonato, aí liderado por Sporting, com três pontos de avanço sobre V. Setúbal, Benfica e FC Porto]. Eu disse-lhe: ''cuidado com isso, Rui. Ainda vamos ser nós os campeões.'' E fomos mesmo campeões [com três pontos de avanço sobre o Sporting, quatro sobre o FC Porto e sete sobre o V. Setúbal]. No dia em que nos sagrámos campeões, na última jornada, 5-1 à Académica [e faz o gesto de cinco com a mão direita, depois de pousar o garfo no prato], o Rui ligou-me para casa, porque naquela altura não havia nada de telemóveis: ''Tinhas razão. Vocês foram mesmo os campeões. Parabéns.'' Foi um gesto bonito, o dele.

E o Real Madrid?

O quê?

E o Real Madrid? Disse "fosse quem fosse...

Ah, está bem. Desde que me lembro da minha existência [Eusébio nasceu em Janeiro de 1942], o Real Madrid sempre foi a equipa. A máquina. E o Di Stéfano o meu grande ídolo. Eu estava em África e ouvia falar muito do Di Stéfano, do senhor que ele era, do futebol que ele jogava. Não o via a jogar, claro, mas os jornais que chegavam a Lourenço Marques, com dois ou três dias de atraso em relação à data da edição, noticiavam as façanhas do Real Madrid, a equipa que dominava o panorama europeu, como se viu com a conquista das cinco Taças dos Campeões seguidas [entre 1956 e 1960]. E o Di Stéfano era o meu ídolo.

E calhou logo encontrá-lo na sua primeira final europeia, em 1962!

Pois foi. Ganhámos 5-3, a perder 3-2 ao intervalo com três golos do Puskas. Na segunda parte, demos a volta e marquei dois golos, um deles de penálti. Antes do jogo, eu disse ao Coluna para pedir autorização ao Di Stéfano que me desse a sua camisola número 9 no final. Jogámos, ganhámos e, quando o árbitro apitou para o fim, lembrei ao Coluna o pedido da camisola. Lá fomos e o Di Stéfano, cabisbaixo mas afável, deu-me a camisola. Vê lá, tinha acabado de me sagrar campeão europeu e só queria a camisola do Di Stéfano. Está guardada, e é uma relíquia.

Já naquele tempo era costume trocar de camisola?

Não muito, mas eu era novo e o Di Stéfano era uma referência. Ainda hoje é! Aquele era o momento.

Trocou com mais quem?

Tanta gente. Hilário, do Sporting.

E voltámos ao Sporting. Por muitos defesas que o tenham marcado, foi um guarda-redes que ficou célebre por sua causa: o Damas!

Grande amigo. Havia uma rivalidade dentro de campo pelas equipas que representávamos mas a nossa amizade era superior a tudo isso. Quando nos encontrávamos por acaso em Lisboa, íamos almoçar ou jantar ou as duas coisas com as nossas famílias. Juntos, vivemos grandes tardes. Na Luz, em Alvalade, no Jamor. Grande homem, grande guarda-redes.

O Damas também ficou conhecido como o Eusébio do Sporting. Aliás, imagine Portugal sem Eusébio. Não havia estátua Eusébio no Estádio da Luz, não havia Damas como Eusébio do Sporting, não havia jogador português no top 10 dos melhores de sempre do século XX, provavelmente o Sporting tinha ganho mais campeonatos, o Benfica menos... Pergunta: se o Eusébio não tivesse vindo para Portugal, o que estava agora a fazer?

A jogar futebol. Acredita em mim. O meu futuro seria sempre futebolista. Há até uma história curiosa. A minha mãe nunca me quis deixar ir embora de Lourenço Marques. Aos 15 anos, a Juventus, a Juventus de Itália, ok?, queria contratar-me, porque um olheiro deles, que tinha sido um conhecido guarda-redes italiano da Juventus, viu-me e disse-lhes que havia ali um rapaz com potencial, que seria bom aproveitar enquanto eu estivesse incógnito. A Juventus chegou-se à frente mas a minha mãe não quis ouvir nada nem ninguém.

Como eram esses tempos em Lourenço Marques?

Grandiosos. Lembro-me dos jogos que fazíamos. Lembro-me de procurar meias, enrolá-las todas, misturá-las com papel de jornal e daí fazer uma bola. E lembro-me também dos nossos concursos. Quem ganhasse, comia dez castanhas!

Como é que era isso?

Eram concursos de habilidade. Tínhamos de fazer corridas com distâncias pré-definidas a dar toques naquelas bolas [e começa a explicar por gestos, com as duas mãos]. Primeira prova: 20 metros. O primeiro a dar chegar à linha da meta sem deixar a bola e trocá-la do pé direito para o esquerdo o maior número de vezes possível qualificava-se para a fase seguinte, que era a prova dos 50 metros, daí para os 100 e acabávamos nos 200 metros. Sempre na mesma coisa: pé direito, pé esquerdo, pá, pá, pá, pá [as mãos a bater uma na outra fazem eco na Tia Matilde] até cortar a meta. Aquilo eram tardes a fio, dias seguidos, meses, anos... O vencedor ganhava castanhas que assávamos ali na hora, mas nunca, nem por uma vez, o vencedor ficou com todas as castanhas. Qualquer que fosse o vencedor, dividia-as com todos os outros. Ehhh, grandes tempos [olha em frente, para uma parede vazia de conteúdo, mas os olhos transmitem emoção]. Cá em Portugal, o meu treino era outro, claro.

Então?

No final de cada treino, eu ficava no campo a treinar remates. Punha dez bolas ao longo da grande área e ia rematando à baliza. Pá, pá, pá [a Tia Matilde não estremece com o eco, mas pouco falta], pé direito, pé esquerdo, ao ângulo superior, rasteiro ao poste mais distante. Fazia este exercício dez vezes por dia, o que dava cem remates no total. Dez à vez, depois ia buscar as bolas, porque não havia cá apanha-bolas nem nada, não é? Distribuía as bolas outra vez pela área e pá, pá, pá, pá.

Um dia destes, vi uma fotografia sua à baliza. O Eusébio tinha estilo, hããã!

[sem mexer as pernas nem os pés, move o tronco para direita e para a esquerda] O treino de guarda-redes era o melhor para os rins, para os abdominais. Para ficar definitivamente em forma, ia à baliza na parte final dos treinos e dizia ao Simões para me atirar bolas para o lado esquerdo e para o lado direito. Com a mão, mas também em jogadas de um para um. E eu atirava-me aos pés dele.

Podia então ter defendido a baliza do Benfica naquela final da Taça dos Campeões com o Inter, em Milão, quando o Costa Pereira se lesionou?

Sim, podia.

Bem... se fosse, a sua lenda era maior ainda: ir à baliza numa final da Taça dos Campeões. E se não sofresse nenhum golo, como aconteceu com o Germano? Aí então...

Nessa final com o Inter, havia três hipóteses: eu, o Cavém e o Germano. Como estávamos a perder e precisávamos de dar a volta, eu fiquei na frente e lá foi o Germano para a baliza, que manteve o 1-0. Ele já estava a coxear e sem hipótese de acompanhar o arranque de algum adversário.

Sabe qual foi o guarda-redes a quem marcou mais golos?

Não.

Ao Américo, do FC Porto.

Quantos?

17.

Estivemos juntos no Mundial-66. Belo guarda-redes. Porto e Sporting sempre estiveram bem representados na baliza.

Tirando o Damas, quem se destacava mais? Carvalho, Octávio de Sá, Carlos Gomes...

O Carlos Gomes [e olha para a frente, como se o estivesse a ver naquele preciso momento]. Uma vez, quando ele defendia o Atlético, treinado pelo José Águas [1961-62], o intervalo de um jogo com o Benfica demorou mais tempo que o habitual. A PIDE estava na Tapadinha e ia levá-lo para interrogatório. Mas só depois do jogo. Ao intervalo, um amigo dele, que também era meu, alertou-o para isso, meteu-o na bagageira de um boca de sapo [Citröen] e lá foram para Badajoz. O Carlos Gomes foi parar a Marrocos, a jogar no Tânger. E o intervalo desse jogo demorou sei lá o quê. Quando o Atlético entrou em campo, o Carlos Gomes já estava a caminho de Badajoz. Sabes porque é que o Carlos Gomes está aqui? [e aponta para a cabeça]

Não faço ideia. Sei que ele sempre foi irreverente e que jogava de preto, em protesto com o amadorismo do futebol e dos seus dirigentes.

Não [e esboça um sorriso largo]. Lembro-me dele era eu um miúdo de oito anos e ia ver com o meu tio os particulares das equipas portuguesas em Lourenço Marques. Era um costume, e antes dessa equipas regressarem a Portugal, ainda iam à África do Sul para ganhar mais um cachet. Lá, os negros não podiam jogar. Lembro-me que o Sporting jogou em Lourenço Marques com o Jorge Mendonça e na África do Sul não o pôde fazer. Eles tinham um campeonato para brancos e outro para negros. Mas porquê? Se somos todos iguais: brancos, pretos, amarelos, azuis... Na África do Sul, era assim. E lembro-me que o Atlético Clube de Portugal [faz questão de repetir o nome do clube] chegou à África do Sul e voltou logo para Portugal, porque recusou as imposições dos sul-africanos, de jogar sem o Ben David, que era cá um jogador [quatro golos em seis internacionalizações por Portugal, entre 1950 e 1952]. Mas volto ao Carlos Gomes.

Ok. Carlos Gomes, então

Num jogo desses, ele foi expulso de campo. E eu lembro-me, tão bem, mas tão bem, da malandrice dele. [Eusébio faz o gesto do árbitro "para a rua", porque ainda não havia cartões, e traça uma grande área imaginária com talheres, pratos e copos, sem tirar o guardanapo de cima daquele que tem água] Ele foi da baliza até à bandeirola de canto e daí até ao meio-campo sempre pela linha, sem nunca sair do campo. Estavam todos a olhar para ele, a ver quando saía para recomeçar o jogo. Quando ele chegou ao meio-campo, desapareceu rumo ao balneário. Quando cheguei a Portugal, vi-o e disse para mim ''olha quem é ele''.

Quando chegou a Portugal... Ainda se lembra do primeiro jogo que viu do Benfica?

Claro. Cheguei numa quinta-feira [15 de Dezembro], depois da mais longa viagem de sempre. Acho que foram 30 ou 31 horas de avião. Tantas escalas... Só me lembro de uma: Dacar [Senegal].

E depois?

Bem, cheguei a Lisboa à noite e do aeroporto fui para o Lar do Jogador, onde conheci todos os jogadores e mais o treinador, o Bela Guttmann. Sabes que ele nunca me tratou por Eusébio? Nunca! Era sempre o menino. O menino tem de ir connosco, o menino tem de fazer isto, o menino tem aquilo... Do Lar do Jogador, viajei para a Covilhã. Apanhei o comboio aqui [e aponta lá para fora, para a Estação do Rego]. Fazia cá um frio lá em cima. Quis ir-me embora. De lá, da Covilhã, e até de Portugal. Foi o Coluna que me sossegou. Eu conhecia-o de Lourenço Marques e as nossas famílias davam-se bem. Eu até tratava a mãe dele por tia. E o meu irmão deu-me uma carta para lhe entregar no dia em que o visse em Lisboa. Nesse jogo na Covilhã, começámos a perder mas ganhámos 3-1.

Chegou em Dezembro de 1960 mas só se estreou em Junho de 1961.

Sim, houve muita burocracia pelo meio, entre Sporting, Benfica, federação... Em Junho, lá me estreei. A 1 de Junho, no dia seguinte ao Benfica ter ganho a primeira Taça dos Campeões [3-2 ao Barcelona, em Berna]. A Federação Portuguesa não quis adiar o jogo e o Benfica apresentou a equipa B. Perdemos 4-1, nos Arcos.

Mas o Eusébio marcou um golo [o 473.º e último golo oficial de Eusébio pelo Benfica, em Março de 1975, também foi com o V. Setúbal, mas já no Bonfim]

Sim, o 3-1.

E também falhou um penálti?

È verdade, defendido pelo Félix. O pai do Mourinho.

Falhou mais penáltis?

Um para o Maló, da Académica [na Luz, em Outubro de 1966: 2-1 para o Benfica]. E outro para o União de Almeirim.

Como é que é?

Para a Taça de Portugal, com o União de Almeirim [32 avos-de-final, a 9 de Fevereiro de 1969]. Ganhámos 8-0, eu já tinha marcado três ou quatro, não me lembro bem [foram três, e vale a pena dizer que Eusébio marcou 18 em nove jogos nessa edição da Taça, que o Benfica levantou, numa final com a Académica, que meteu prolongamento e só se evitou um segundo jogo por-culpa-vocês-sabem-de-quem]. E houve um penálti. Eu fui batê-lo e o guarda-redes disse-me que o pai dele estava no Estádio da Luz. Eu então disse-lhe que ia atirar para aquele lado [Eusébio aponta o seu lado direito] e ele foi lá buscá-la. Eu e ele tirámos fotografias, com o pai também, e, durante essa semana, ele virou herói nacional, com reportagens numa série de jornais. Foi engraçado [e sorri largamente, como se lhe estivessem a dar uma Bola de Ouro].

Seis derrotas na Luz, 11 títulos de campeão nacional em 15 épocas, três penáltis falhados, duas Botas de Ouro [melhor marcador europeu] e uma Bola de Ouro [melhor jogador da Europa para a France Football]. Que carreira. Falta-lhe alguma coisa?

Já que fala nisso... Podia ter ganho duas Bolas de Ouro.

Pois. Ganhou uma em 1965, com oito pontos de vantagem sobre Facchetti, lateral italiano do Inter. Mas perdeu a de 1966, para Bobby Charlton. Por um ponto, não foi?

Sim. Um ponto.

E o voto foi de um jornalista português, o Couto e Santos, do Mundo Desportivo. Ele votou no Bobby Charlton em primeiro lugar, eu em segundo [em 1966, Charlton foi campeão do mundo e eleito o melhor jogador pela FIFA numa prova em que Eusébio foi melhor marcador destacado, com nove golos em seis jogos]. O Charlton acabou com 81 pontos, eu com 80. Se ele votasse em mim, seria o contrário: eu 81, o Charlton 80.

E alguma vez falou com Couto e Santos sobre isso?

Siiim. Ele sempre me disse que votou no Charlton porque julgava que eu ia ganhar com avanço. Como é que alguém pode pensar isso numa votação secreta? E o que é que eu podia fazer-lhe? Nada, não é? Apenas perguntei-lhe e ele respondeu-me desta forma. Se ele votasse, eu seria o primeiro jogador a ganhar a Bola de Ouro duas vezes seguidas.

A Bola de Ouro perdida para o Bobby Charlton. Mais alguma coisa que lhe falta? Li algures que nunca jogou com o Matateu.

É verdade, o Matateu. Ele nunca jogou comig... Desculpa, eu nunca joguei com o Matateu. Assim é que é, assim é que se deve dizer: eu nunca joguei com ele. Só uns treinos na selecção portuguesa, com o Peyroteo a treinador. [E o Luís Piçarra entra novamente pelos nossos ouvidos dentro... Eusébio é ou não é um prato?]

terça-feira, 30 de novembro de 2010

os gangsters!

alguma coisa vai mal quando um clube de futebol, que até está a 8 pontos do segundo classificado, vem comentar a tentativa do JJ para que um tal de cadete cumprisse os regulamentos a que está adstrito. só tenho pena que alguns dos poucos, mas grandes amigos que tenho do fcp, ainda não tenham visto quem está à frente dos destinos de um clube que nunca deixará de ser regional. gangsters? não consigo parar de rir com tamanha manifestação de ridículo.

xau

Cardozo, Tacuara Cardozo, o melhor goleador do Benfica da última vintena de anos voltou e com ele a alegria de Saviola voltou ao relvado.
o futebol simples de Tacuara faz renascer a esperança numa segunda volta em que tudo é possível.
xau.

sexta-feira, 26 de novembro de 2010

JJ, LFV e RC

custa alguma coisa dizer qualquer coisa como isto?

os meninos mimados e o que ainda temos a ganhar

no ano passado por esta altura, fonte que lidou de perto com o nosso número 23, confidenciou-me que este lhe terá dito que já não tinham paciência para ouvir o JJ.
depois disso, veio o jogo com o olhanense e a vitória frente aos actuais líderes do campeonato que nos catapultou para o ceptro.
nesta altura do campeonato, com muita coisa deitada à rua, ainda podemos ter alguma esperança, caso o nosso 23, perfeitamente deslumbrado com todas as notícias de que vale isto e aquilo, e outros que por lá andam, saírem em janeiro. mas como não podem sair todos, o inevitável é que seja o JJ a sair, não pelo seu pé, mas despedido. e aí vai ser o bom e o bonito, porque o homem não vai calar-se até ao final do campeonato e até que entre pela porta grande como treinador do nosso maior adversário nos tempos que correm.
percebe-se que JJ não soube lidar com o êxito como não o souberam o presidente e a escória que o rodeia. as afirmações ébrias que temos ouvido desde o final da época passada são disso espelho.
claro que o futebol é o penalty não marcado e o golo mal anulado, como tivemos alguns este ano, incluindo em telavive. mas isso não chega como desculpa. é preciso jogar à bola, comer a relva e pensar em honrar os contratos que se assinaram.
não sou ingénuo ao ponto de pensar que o futebol de hoje é igual ao da minha infância em que os jogadores ainda tinham amor à camisola. mas, cum camandro, daí a serem uns meninos mimados como o nosso 23 ou alguns dos que por lá andam, vai uma grande distância.
apesar de tudo, ainda podemos ter algumas coisas a ganhar, a primeira delas experiência para que os erros não voltem a repetir-se.
não que tivesse grandes esperanças em ganhar o que quer que fosse na champions e até acho que se tudo correr bem, pode ter sido o melhor que nos aconteceu, já que na liga europa podemos ter uma palavra a dizer.

quinta-feira, 25 de novembro de 2010

obviamente, demita-se ou demitam-no

e com o treinador pode ir o director desportivo e o presidente.
não podemos ter amadores à frente do Sport Lisboa e Benfica.

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

dezembro à Benfica

dia 7, os alemães, naquilo que espero venha a ser um jogo decisivo para o segundo lugar do grupo.
dia 12, o braguinha, para carimbar a passagem à fase seguinte da taça.
dia 18, o rio ave, para a liga.
3 jogos em casa e por pouco seriam 4, com o de dia 3 frente ao olhanense.
há lá coisa melhor do que ir a nossa casa apoiar o Benfica?

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

curativo

depois de uma semana de dores de alma, lá estava eu às 2:15 frente ao televisor para ver o Maior de Portugal.
a primeira parte quase deu em recaída mas o efeito curativo do Benfica, com um Gaitan em grande, teve um cheirinho da época passada, apesar da aparente baixa de forma do Coentrão e de um gajo chamado David Luiz que tem de estar uns tempos ao copo (expressão celebrizada pelo grande treinador do Alto de Pina, Fernando Miguel Ribeiro dos Santos Castelo, Becas para os amigos, para indicar que tem de passar uns tempos no banco de suplentes).
ah, e quando é que expulsam ou tomam medidas para punir com interdição de entrada na Catedral adeptos (?) que assobiam jogadores que têm o manto sagrado do Sport Lisboa e Benfica vestido assim que entram em campo?

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

mensagem enviada ao jornal a bola

"Exmos. Senhores
Na sequência da vergonhosa censura ao colunista sportinguista josé diogo quintela e posterior abandono do mesmo e do Ricardo Araújo Pereira, nada mais há para ler nesse diário que outrora era conhecido como a Bíblia.
Nesse sentido, solicito a suspensão do serviço associado ao endereço de correio electrónico, pretendendo ser ressarcido dos meses que faltam da subscrição.
Estou ao dispor para qualquer esclarecimento adicional que julguem necessário.
Com os melhores cumprimentos

Sócio do Sport Lisboa e Benfica 18887."

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

palavras que não se podem dizer na rádio

há 3 dias enviei ao Mestre (este é mesmo Mestre, não é como o outro que de mestre tem pouco) GA uma mensagem em que lhe pedia um prognóstico para o jogo desta madrugada. dizia qualquer coisa como "domingo, prognósticos? P'ra mim goleada villas vs JJ (armado em bom) mas gostava d'ouvir o Mestre". a resposta não tardou: "domingo há + dragao porque o Jesus nao e esperto".
ora, vindo de quem sabe, infelizmente confirmou aquilo que já há algumas semanas dizia a quem me está mais próximo nas lides futebolísticas.
o nosso adversário está uma máquina de jogar à bola, com jogadores acima da média do meio campo para a frente onde se destaca aquele rapaz que é uma força da natureza e que jogava no japão há pouco mais de 3 anos, depois de uma passagem fugaz pelo vilanovense.
não é só esse. é esse, é o moutinho (aí, concordo com o Vici que considera que este título do adversário também deve ser partilhado com o cotonete lagartino), é o falcão, é o varela... enfim, uma equipa não tão fulgurante como o Benfica da época passada, no que diz respeito ao futebol ofensivo e à pressão e ao espectáculo, mas uma equipa coesa, muito eficaz e bem organizada defensivamente.
saiu-lhes, é certo, e como me disse o meu amigo Becas no final da partida, tudo bem. 3 primeiros remates, 3 golos. pouco ou nada há a fazer depois disso que não seja minimizar os danos.
o JJ errou muito desde o momento em que escalou a equipa. transmitiu uma ideia de medo ao colocar um central que até nem está a fazer uma boa época, fruto do endeusamento da comunicação social, a defesa-esquerdo. não lhe serviu de lição anfield road. e aí, sim, o JJ, que até é um gajo que percebe de bola, é teimoso. teimosia que, quase sempre, significa defeito, mas que até pode ser uma boa qualidade em algumas situações. mas esta teimosia do JJ é sinónimo de burrice ou de incapacidade ou de qualquer outra coisa que não conseguimos explicar. como o facto de o Airton estar proscrito, do Saviola ter ficado no banco, do Aimar ter jogado a segundo ponta de lança.
o futebol tem muito pouco para ser inventado. está tudo escrito, estudado, esmiuçado. inventar contra a selecção angolana no particular de quarta-feira, até pode acontecer. contra o adversário desta madrugada, nunca!
mas será que ninguém consegue pôr isso na cabeça do homem?
ou a bebedeira colectiva com atitude de barões intocáveis só porque ganharam - e bem! - um título, causa cegueira? as comissões e mais comissões que o JJ e toda a entourage Vieiriana comeram desde o início do ano não são suficientes? chega de amadorismo bacoco, provinciano. a única forma de poder aspirar a ganhar um jogo como o de ontem seria partir para cima deles desde o primeiro minuto. podíamos perder por 5, é certo, até por 10, mas nunca com um só remate à baliza digno desse nome.
parabéns aos vencedores que foram dignos, dentro do campo, da posição que ocupam e que vão ocupar até ao final do ano. talvez não sejam dignos de alguns adeptos que têm e que não sabem ganhar nem perder e preferem atirar bolas de golfe para dentro do relvado. como sempre, a punição vai dar em nada.
hoje, quando botei faladura no jornal de desporto da rádio macau invadiu-me uma tristeza imensa de ter de reconhecer a superioridade do adversário perante a incompetência dos nossos. sejam pelo menos competentes até ao final do ano. era a tristeza imensa misturada por uma pequena sensação de alívio de saber que até maio vou dormir mais aos fins-de-semana visto não ter de acordar para ouvir de madrugada o nosso Clube... ehehe, como se isso fosse possível!?!
agora, resta contar os mortos e tratar dos feridos.
uma nota final para a grande inimiga do Benfica desde há muito: comunicação social, com especial destaque para o jornal "A Bola".

venha o fmi

e que a primeira medida seja o despedimento dos incompetentes.

O Jesus enganou-me bem...

Era so isto.


domingo, 7 de novembro de 2010

Domingo Gordo.



Domingo. Um Domingo como deviam ser todos. Não chove, não estou de ressaca, avizinha-se um belo jantar e é dia de fcp-SLB. Dia de clássico, portanto. O verdadeiro, não um qualquer. Duas grandes equipas, as melhores de hoje e de sempre (exceptuando o scp do Jesus Correia, Travaços, Vasques, Albano e Peyroteo - um luxo que o imorredouro António Silva perpetuou no "Leão da Estrela"). Desejo uma vitória do meu clube, mas cheira-me a empate. O futebol tem muita merda, mas também tem disto: paixão, história, honra, classe. E, espero, respeito, muito respeito. Um grande abraço aos portistas e benfiquistas. Que ganhe o melhor. E, já agora, que o melhor seja o Benfica.

P.S.: Até porque a minha velha faz anos hoje e vai ficar muito chateada se o Benfas não ganhar...

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

o jogo do título

não há volta a dar-lhe.
uma derrota com o principal opositor no próximo domingo atirará o Benfica para uma tarefa quase impossível. é verdade que ainda faltarão 60 pontos para disputar e que a distância será só de 10 pontos. mas ninguém está a ver nós a ganhar todos os jogos e eles a perderem uns 3 ou 4.
até se apagar a luz na passada terça-feira, o Benfica mostrou que está em condições de disputar o jogo. mas, quer parecer-me (olá xô Vici) que estamos mais fracos que o opositor, moralizado pela excelente campanha que tem feito, com ajudas aqui e ali, é verdade, e com desajudas ao Benfica.
no outro dia, em conversa com um amigo meu que vive na vizinha hong kong e que é adepto do fcp, cheguei à conclusão que ainda há pessoas desse clube que sabem ver bola. disse-me qualquer coisa como isto: "meu caro, há muitos anos que vou à bola e tive a oportunidade de ir ver o guimarães Benfica. eu, que sou do fcp, nunca vi nada assim. foi um roubo tão mas tão grande que até fez impressão." estariamos a apenas 4 pontos ou a 5 o que é diferente do que estar iminente a distância dos 10 pontos.
tudo visto e ponderado, tenho fé que podemos sair do dragão pelo menos sem a derrota o que nos permitirá sonhar com mais qualquer coisa, quando o fcp se prepara para visitar alvalade. mas é só mesmo fé. porque as peripécias que vão rodear a partida e o historial de jogos lá, leva-me a concluir que será tarefa quase impossível.
que seja um grande jogo, que ganhe o melhor e que não haja feridos graves nem mortos antes, durante e depois do jogo são os meus votos.
se quiserem enviar pelo correio umas bolas de golfe, fazem bem melhor do que enviarem para o relvado.

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

quando tudo deixa de fazer sentido

momentos há em que o futebol e tudo o resto que esta vida nos dá, devem passar para o final da fila das prioridades ou até deixar de a ser. quando tudo deixa de fazer sentido ou damos por nós a perguntar se há alguma coisa que faz sentido quando alguém que não pediu, não merecia, não podia, não devia ver-lhe cortada a alegria de viver de forma abrupta.
tudo o que conquistamos, discutimos, fazemos, olhamos deixa de fazer sentido ou de ter a importância que por vezes lhe damos. ontem e hoje foram desses dias em que a única coisa que apetece é perguntar: mas porquê uma criança com 7 anos? por que é que tanto, mas tanto facínora que anda à solta não vai no lugar de um inocente? diz que é a vida. se é mesmo ela, apetece gritar, ora merda para a vida!
que descanses em Paz, puto.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

da magia de Pablito ao apagão de Jesus

Primo
ainda estou estupefacto com o que vi na sexta-feira passada. Pablo César Aimar, o que estava acabado para o futebol e vinha para o Benfica para a reforma, pega na redondinha no meio-campo defensivo e vai por ali fora até rematar em jeito para o canto superior direito de um cássio que estava estupefacto como os que foram à Luz.
o resto do jogo com o paços (que rematou mais do que o Benfica!!) foi uma tristeza, com excepção de um Roberto superior.
Secondo
Roberto inferior foi o que tivemos ontem. estava ansioso, queria sacodir a bola qual jogador do odivelas a ganhar 1-0 ao rio ave ao minuto 95 (já tinha passado 1 minuto do tempo extra) e manda uma casa das antigas... antes disso, noite perfeita até ao primeiro golo do lyon. mas, a teoria da embriaguez do JJ teve mais um capítulo. ele, que diz que o Benfica joga como poucos na europa, diz qualquer coisa como isto: "vamos lá humilhar o lyon. já que comecei com 10 (sim, o Peixoto) e estou a ganhar 4-0, que tal passar a jogar com 7 (Jara, Meneses e um outro que nem me lembro do nome! ah, o Weldon)? para quê pôr o Airton, vamos é dar rodagem a jogadores em que apostei!"
quase que se deu mal. aliás, JJ este ano está a dar-se mal com algumas opções.
vitória importantíssima, por números que já não se usam, a fazer como o campeão da europa contra os spurs há duas semanas!
até ao minuto 70, viu-se o Benfica como há muito não se via. Coentrão começa a ser um case study e em janeiro já era. Martins outro.
muito difícil o próximo jogo, à semelhança deste, mas em futebol tudo é possível. não sou dos que acham que resultados como o de ontem catapultam o Benfica para a candidatura ao ceptro europeu nem que será fácil ganhar no campo do nosso principal opositor interno. mas são vitórias como a de ontem (até aos 70 minutos) que podem dar moral e fazer com que no resto da temporada ainda possamos lutar pelos títulos onde estamos envolvidos.
nota final - o Benfica joga tão bem sem o Gaitan.

terça-feira, 26 de outubro de 2010

o derby, o dinheiro e os excursionistas

apenas consigo conceber uma ida a Luanda para jogar numa quarta-feira, 10 de novembro, à luz do seguinte (qualquer uma delas serve):
1. vamos ser apedrejados e swingados com bolas de golfe e não jogamos o derby com o líder do campeonato;
2. há muito dinheiro angolano metido no Sport Lisboa e Benfica;
3. levam excursionistas para a despedida do Mantorras;
4. está tudo maluco para os lados da Luz;
5. depois dos convocados do leiria para o jogo de ontem e do que se passou no jogo de ontem, já toda a gente percebeu quem vai ser o campeão e a toalha foi atirada ao chão;
6. está tudo embriagado para os lados da Luz.
ps - o leiria do bartolomeu não estava no processo apito dourado?

segunda-feira, 25 de outubro de 2010

RAP n'A Bola

"E isso me envaidece

Estive ontem mais de duas horas a conversar com um adepto do Benfica. Chama se António Lobo Antunes e é, alem de benfiquista, um grande escritor. Um dos maiores do mundo. Sempre que lhe dão um prémio literário, e já lhos deram quase todos, fica mais prestigiado o prémio do que ele. Tem diplomas, medalhas, vários quadros de grandes pintores que quiseram pintar-lhe o retrato. Creio, por isso, que os leitores não serão capazes de lhe censurar a vaidade se disser que, em casa dele, na parede do quarto, está, emoldura da, a sua ficha de inscrição como sócio do Sport Lisboa e Benfica. Cada um tem as suas honrarias, e a vontade de exibir as maiores é apenas humana. «É extraordinário», disse ele a olhar para a moldura, «como um clube fundado por órfãos da Casa Pia - ao contrário do Sporting, fundado por um Visconde, e do Porto, fundado por banqueiros - consegue...» E, entretanto, faltaram-lhe as palavras.

«É extraordinário», limitou-se a repetir. Confesso que fiquei desapontado. Afinal, um grande escritor não fazia milagres: quando alguma coisa era do domínio do indizível, não havia vocabulário, nem talento, nem nada que lhe valesse. Mas, nesse mesmo segundo, Lobo Antunes desmentiu-me. Encontrou as palavras que lhe faltavam, e começou a recitá-las: «Domiciano Barrocal Gomes Cavém. José Pinto de Carvalho Santos Águas. Mário Esteves Coluna. Alberto da Costa Pereira. José Augusto Pinto de Almeida. Ângelo Gaspar Martins. António José Simões da Costa.» Assim mesmo, com os nomes completos e sem hesitações. Mais adiante, nessa mesma tarde, António Lobo Antunes haveria de declamar um poema de Dylan Thomas. Mas não voltou a ser tão poético como naquele momento, à frente de uma ficha amarelecida por mais de 60 anos.

Antes de nos despedirmos, ainda registámos uma coincidência. No dia 23 de Maio de 1990, eu tinha 16 anos e estava a chorar em minha casa; António Lobo Antunes tinha 47 e estava a chorar na dele. Claro, Lobo Antunes é um génio, e eu sou apenas, e só quando consigo, eu. Mas, ao menos naqueles minutos que sucederam à final da Taça dos Campeões (duas ou três horas, no meu caso), a minha sensibilidade foi igual à dele. Não é a primeira vez que o Benfica faz de mim uma pessoa melhor, mas nunca deixa de ser surpreendente.
Feito este curto mas importante parêntesis, para a semana voltarei a dedicar-me às grotescas incongruências de Rui Moreira e Miguel Sousa Tavares, que é para isso que cá estou."